Depois, ficamos ali, abraçados, sentindo o suor esfriar e os corações voltarem ao ritmo normal.
Ela estava deitada no meu peito, com aquele sorriso pleno de quem finalmente encontrou a paz.
— Eu te amo.
ela sussurrou, quase dormindo.
— Eu te amo mais que a minha vida.
respondi, nos cobrindo.
A lua de mel não precisava de hotéis de luxo ou viagens longas. Ela estava ali, naquela entrega, no cheiro da vida juntos e na certeza de que, debaixo daquele teto, o ódio nunca mais encontraria morada.
Porque eu destruiria antes mesmo de se criar. Tudo aqui era meu, sempre foi e sempre será... Meu!
...
O céu sobre o cemitério estava pesado, de um cinza carregado que parecia combinar com o silêncio das lápides.
O vento soprava com uma umidade fria, bem diferente do calor habitual, balançando as copas das árvores secas.
Ricardo estacionou o carro e desligou o motor, mas não me deixou sair imediatamente.
Ele olhou para mim, os olhos cheios de um cuidado que o tempo não tinha diminuído.
— Tem certeza que quer fazer isso?
a voz dele era baixa, testando minha determinação.
— A gente pode dar meia volta agora mesmo. Você não deve nada a esse lugar.
Olhei para a pequena flor branca que eu segurava entre os dedos. Minha mão não tremia mais.
— Tenho sim, Ricardo. Eu preciso. É o último ponto final.
Saí do carro sozinha.
Ele entendeu que aquele era um terreno que eu precisava caminhar com meus próprios pés.
O som dos meus passos na brita era o único ruído enquanto eu procurava a lápide de Clarisse.
Quando parei diante dela, o rosto na foto de mármore parecia me encarar com aquela mesma amargura que tentou me destruir.
Fiquei em silêncio por um longo tempo, deixando o vento bater no meu rosto.
Ela quis acabar com minha vida, destruir minha família, meus sonhos.
Nesse último ano, eu me perguntei como seria a reação dela se tivesse descoberto minha gravidez... O quanto mal tentaria nos fazer, ela está aqui... Antes do nascimento da minha filha, depois de um tempo se tornou livramento.
Especialmente hoje... Um ano após aquele acidente que quase me levou a ficar neste lugar. Eu queria fechar o que ela começou.
— Eu nunca quis o que era seu, Clarisse...
comecei, minha voz saindo firme, sem um pingo de medo.
— Porque hoje eu entendo que nunca foi para ser seu. Tudo o que você fez, desde o primeiro dia, foi me odiar. Talvez, antes de vir morar na sua casa, de mendigar o amor do seu pai para tentar ocupar o espaço do luto que o meu deixou, você tenha me amado como prima. Mas tudo o que eu tive de você, depois desse dia foi desprezo. Você contaminou todo mundo com isso.
Respirei fundo, sentindo o ar frio limpar meus pulmões.
— Agora eu vejo. Eu só tomei o que era meu por direito. O Ricardo, o Henry, a minha vida... isso é meu, sempre foi... Mas você viu tudo que eu conquistava e quis cada uma delas. Mas agora é algo que você nunca mais vai conseguir tentar roubar. Eu só vim... te dizer pra descansar em paz, Clarisse.
Me inclinei e depositei a flor sobre a pedra fria.
— Porque agora... Você não é capaz de me tirar mais nada.

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