Nem ele mesmo acreditava no que dizia, mas continuava repetindo aquelas palavras, como se insistir pudesse torná-las verdade.
Os joelhos dele já estavam em carne viva, e o sangue que escorria misturava-se com a chuva gelada, provocando uma dor insuportável.
De repente, Augusto se lembrou de um dia no inverno passado. Naquela mesma escadaria de pedra, ele havia forçado Débora a se ajoelhar.
Cada degrau que ele agora se ajoelhava e percorria com sofrimento já tinha sido palco da dor de Débora.
Cada golpe de dor que ele sentia agora era apenas um reflexo daquilo que ele mesmo havia imposto a ela no passado.
E, naquele tempo, ela ainda carregava o filho dele no ventre. Mesmo grávida, ele a obrigara a ajoelhar-se ali, pedindo perdão, como se fosse ela a culpada.
Augusto não conseguia imaginar o desespero e a dor que Débora sentiu quando o bebê, ainda uma vida em formação, transformou-se em uma poça de sangue que escorreu de seu corpo.
A chuva continuava caindo, gelada e cortante. Naquele momento, ele finalmente compreendia o frio que penetrava os ossos de Débora e a dor que ela suportara enquanto estava naquela mesma posição.
— Me desculpa… Débora, me desculpa…
A voz dele era um grito abafado, e seu rosto estava coberto por algo que ele não sabia mais distinguir: eram lágrimas ou apenas a chuva que escorria? Ele olhou para o céu e gritou, como se pudesse ser ouvido:
— Devolvam a minha Débora!
Mas, no silêncio vazio da montanha, a única resposta que ele ouviu foi o eco de sua própria voz.
Sua Débora nunca mais voltaria, não é?
Finalmente, com os joelhos ensanguentados e em carne viva, Augusto conseguiu alcançar o topo da montanha.
A estátua do santo, que ele sempre achara bondosa e acolhedora, parecia agora fria e austera sob a luz trêmula das velas.
Os olhos da imagem, que sempre transmitiam serenidade, pareciam julgá-lo com severidade. Aquela frieza lembrava exatamente o olhar de Débora para ele.
Já era tarde da noite quando Augusto voltou para casa. Ele foi ajudado por Felipe, que o amparou até a entrada.
Fabiana, aflita, correu para recebê-lo assim que o viu.
Mônica, por sua vez, assumiu imediatamente o papel de uma esposa dedicada e solícita. Pegou uma toalha seca e começou a enxugar o corpo dele com cuidado.
— Augusto, o que você estava fazendo fora por tanto tempo? Por que voltou tão molhado assim? — Perguntou ela, com um tom doce e preocupado.
Tudo tinha saído exatamente como planejado. Débora estava fora do caminho.
Quanto a Alice, ela não teria coragem de voltar para Augusto depois de tudo o que aconteceu. Por isso, ela continuava escondida.
Fabiana, ao ouvir que Débora havia sido vendida para o bairro da luz vermelha, pareceu indiferente e até satisfeita:
— É mesmo? Então podemos pedir ao tribunal que declare o desaparecimento dela. Assim, nem precisamos mais do divórcio. Você pode se casar com a Mônica imediatamente!
Mônica, embora estivesse explodindo de alegria por dentro, fingiu preocupação. Ela pegou uma tigela de chá de gengibre, soprou levemente para esfriar e sentou-se ao lado de Augusto.
— Augusto, a Débora é uma mulher forte. Tenho certeza de que ela vai superar isso. Mas você também precisa cuidar da sua saúde. Por favor, tome o chá. Depois, eu preparo um banho quente para você…
Antes que ela pudesse terminar, Augusto ergueu a mão e, com um golpe violento, jogou a tigela no chão.
— Saiam todos daqui! — Ele gritou, com uma fúria que ecoou pela sala.
Mônica deu um salto para trás, assustada, e levantou-se imediatamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...