Thiago soltou um riso frio enquanto caminhava em direção à cozinha:
— Se tem medo de ser mal-interpretada, então é simples: da próxima vez, não venha.
Eu fechei a boca sem dizer mais nada. No final das contas, quando Thiago estava de mau humor, qualquer coisa que eu dissesse acabava sendo errada.
Até a hora do almoço, permaneci em silêncio.
Thiago, por outro lado, parecia indiferente. Apenas de vez em quando ele colocava algo no prato da Rafaela, pedindo que ela comesse mais.
Rafaela, alheia à tensão que pairava entre nós dois, de repente comentou:
— Tio Thiago, eu percebi uma coisa.
— O quê? — Ele perguntou, olhando para ela com um leve interesse.
Rafaela sorriu com um ar travesso:
— Só consigo comer comida feita por você quando a tia Débora está aqui.
Minha mão, que segurava o garfo e a faca, parou no meio do movimento. Meu coração ficou uma bagunça.
Eu queria esclarecer tudo, acabar de vez com esse clima estranho, mas ao mesmo tempo tinha medo. Medo de que, uma vez quebrado o silêncio, não houvesse mais como voltar atrás.
Thiago respondeu com um tom frio e distante:
— Ela deu sorte de estar com você, porque eu não faço comida por causa dela.
Rafaela, que até então parecia despreocupada, percebeu o desagrado na voz de Thiago. A menina, esperta como sempre, rapidamente se calou e voltou a comer, sem dizer mais nada.
Quando estávamos quase terminando o almoço, o celular de Thiago tocou. Ele atendeu com sua habitual postura calma, mas desta vez, sua voz revelou uma leve oscilação:
— Entendido, doutor. Vou à tarde encontrá-lo.
Assim que ele desligou, minha curiosidade me venceu:
— Você está doente?
Thiago respondeu com indiferença:
— Não, é sobre minha mãe. Apareceu uma nova opção de tratamento e um medicamento especial. Vou falar com o médico esta tarde.
Eu assenti e tentei confortá-lo:
— Sua mãe é uma mulher forte, tenho certeza de que ela vai superar essa fase.
Thiago não pareceu precisar das minhas palavras de consolo. Em vez disso, ele me olhou profundamente, como se estivesse tentando ler algo em mim.
Depois de um longo silêncio, sua voz saiu mais branda:
— Em alguns dias, vou voltar para o País A. O Natal está chegando, e há muitas coisas para resolver por lá. Minha avó não vai conseguir lidar com tudo sozinha. Quanto à Rafaela, vou deixá-la com você.
Eu concordei com seriedade:
— Pode deixar. Vou cuidar bem da Rafa.
Depois do almoço, Thiago parecia com pressa para ir ao encontro do médico. Eu me preparei para levar Rafaela de volta para casa.
Com a proximidade do Natal, o ritmo de trabalho na companhia diminuiu bastante.
No dia 24, os pais da família Lins me ligaram logo cedo, convidando-me para almoçar.
Contudo, sabendo que meu irmão estaria lá, usei a desculpa de que precisava cuidar da Rafaela para recusar.
A verdade era que, com tudo o que vinha acontecendo, eu não queria encontrar meu irmão, especialmente depois de tudo o que ele havia feito e da relação complicada com Mônica.
Assim, logo pela manhã, comecei a preparar o jantar de Natal com Rafaela.
A casa já estava decorada com enfeites natalinos, e até havíamos colocado um Papai Noel na porta. Mesmo assim, com apenas nós duas, a atmosfera parecia um pouco solitária.
Enquanto preparava os ingredientes para o jantar, perguntei a Rafaela:
— Esse é o Natal mais solitário que você já passou?
— Não, tia Débora! — Rafaela respondeu animada, enquanto brincava com um pedaço de massa. — Antes, na família Mendes, minha mãe não gostava de mim. No Natal, ela sempre me deixava sozinha em casa. Meu pai até falava com ela, mas ela nunca ouvia. Naquela época, sim, eu me sentia sozinha de verdade.
Senti meu coração apertar. Pensei nos pais da família Lins, que me criaram com tanto amor e carinho.
Graças a eles, eu nunca tinha experimentado a solidão que Rafaela descrevia. Apesar de ter ligado para eles mais cedo para desejar um Feliz Natal, a verdade era que, naquele dia tão especial, eu não estava ao lado deles.
Um sentimento de culpa começou a me invadir.
Foi então que a campainha tocou.
Rafaela correu para atender, e para minha surpresa, era Maria e Sérgio que estavam na porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
So o meu ou de vocês também tão com capítulo recortado ? Tipo está em uma situação e no outro capítulo muda o cenário sem contexto nenhum...
A autora podia voltar a liberar 5 capitulos por.dia.Estou curiosa para saber do Thiago...
Que legal achar que exite um motivo que justifique uma agressão,...
Alguem chegou no cap 830? Fiquei bem chateada. A autora que me desculpe, mas o Deborah ja sofreu demais, por mim. Ja podia dar o fim da historia...
Débora para de ser sonsa,reage mulher.....
Débora tá muito mosca morta,tem que reagir e para com essas atitudes infantis tá ficando cansativo já.....
Sério desculpe autora sua escrita é até boa pq a história prende, mas tem que saber a hr de parar... e tbm fazer uns homens mas maduros nesse enredo aí.Tds os relacionamentos do livro são tóxicos a ponto de achar que não terá um final muito bom cara... Acho que o único melhorando na história é o Mathias, isso pq não teve capítulo de interação sobre o relacionamento dele e da Nathalia. Pq pelo que vi nenhum aí tá prestando. Td gira em torno de traição e usar as mulheres......
Alguém sabe me dizer se a Débora ficou com o Tiago pq sinceramente eu já não consigo prever o desfecho e to ficando nervosa...
Alguém tem capítulos após o 796 pra ler ? Aqui ainda não liberaram de forma gratuita pra mim após esses...
Não o que é pior,a Débora ta pior que curva de rio,só se lasca. Na história eu imagino o Augusto um homem irresistível e casaste do tipo que infelizmente as mulheres gostam.Ja o Tiago é tipo come quieto. Kkk Eu tô ansiosa pra saber a história da Rafaela, se ela é a filha da Mônica com o Jacarias ou se é a filha da Débora que a Mônica pode ter trocado ....