Sem perceber, lágrimas começaram a rolar, borrando a maquiagem recém-feita.
Sophia olhou para o anel de diamante em seu dedo anelar esquerdo.
Um mau pressentimento se espalhou por seu coração: a mulher que surgiu de repente iria destruir a felicidade pela qual ela esperava há tanto tempo.
Ela não podia ficar ali esperando; precisava saber quem era aquela mulher.
Depois de respirar fundo por um momento, deu um passo em direção ao hotel.
O avião veio do País M de volta ao País H.
Hospital Luz do Atlântico.
Sophia estava na porta do quarto do hospital, os braços cruzados, tentando olhar para dentro através da janela.
Davi, junto de seu amigo Samuel Borges, diretor do Hospital Luz do Atlântico, observava enquanto os médicos examinavam a mulher inquieta na cama.
A mulher era segurada por duas enfermeiras.
No avião, o rosto da mulher já havia sido limpo e ela vestia roupas limpas.
— Valentina? Ela não estava... — Desaparecida há quatro anos, sem deixar rastros?
Samuel estava surpreso. Como ele encontrou Valentina?
Ambas as famílias haviam mobilizado todas as conexões e procurado por quatro anos sem sucesso. Agora, quando haviam desistido de procurar, ela apareceu?
Após o exame, os médicos e as enfermeiras saíram do quarto.
Dentro do quarto, reinava o silêncio.
Depois de um momento, a voz de Davi, parecendo vir de longe, quebrou o silêncio. Ele olhava para a mulher na cama, que dormia profundamente após receber um sedativo.
— Como está a saúde dela?
— Desnutrida, assustada, com algum grau de confusão mental, mas nada grave. Com algum tempo de repouso, ela ficará bem.
Davi permaneceu ao lado da cama, indicando que pretendia passar a noite ali.
Samuel abriu a boca para dizer algo, mas acabou engolindo as palavras e saiu do quarto.
Ao abrir a porta, viu Sophia parada do lado de fora.
Samuel se sentiu desconfortável por causa de seu amigo.
Ajustou os óculos de armação prateada e cumprimentou ela com um sorriso gentil.
— Srta. Sophia.
Sophia assentiu levemente em resposta.
— Dr. Samuel, qual é o nome dela? Qual é a relação dela com Davi? — A pergunta de Sophia foi direta; ela estava ansiosa para saber quem era aquela mulher.
Samuel não sabia como responder. Dizer que Valentina era a deusa no coração de Davi?
Afinal, isso era um assunto do seu amigo, e ele não queria se intrometer.
Enquanto ele ponderava como responder, Davi abriu a porta e viu os dois em frente ao quarto, franzindo a testa, visivelmente aborrecido.
— Eu não disse para você ir para casa primeiro? O que ainda está fazendo aqui? — O tom dele estava carregado de desdém e impaciência, quase tangível.
Sophia, sem medo, o encarou de volta. Ela precisava entender.
— O homem que há 16 horas estava me pedindo em casamento em País M agora está abraçando outra mulher, me ignorando completamente, e ainda quer que eu aceite que você nem vai voltar para casa? Passar a noite fora?
— Pare de criar confusão. Agora, vá embora imediatamente. — A voz dele era fria e autoritária, e o olhar para ela era como se estivesse disciplinando uma subordinada desobediente.
Samuel viu o rosto sombrio de Davi e, com receio de que uma discussão começasse, se apressou em intervir para proteger Sophia. Quando Davi ficava bravo, ela não tiraria nenhum benefício.
— Já está tarde. Vou providenciar um carro para levar a Srta. Sophia para casa. — Samuel tentou mediar.
Sophia recusou a oferta de Samuel.
— Eu estou criando confusão? Sou sua noiva! Você me abandonou na rua em um país estrangeiro e saiu com outra mulher nos braços. Alguma vez você pensou em mim? Se quer que eu vá embora, você vai comigo. A mulher que está no quarto tem médicos e enfermeiras para cuidar dela. Agora, você vem comigo para casa.
Sophia estendeu a mão para puxar o braço de Davi.
Antes que sua mão o tocasse, foi bloqueada.
Era Gabriel, o segurança particular de Davi.
Sophia ficou surpresa, sem acreditar, e sentiu seu coração ser despedaçado em uma dor lancinante.
— Srta. Sophia, já está muito tarde. Converse com Davi em outro momento.
"Depois de uma cena dessas, ainda haverá conversa?"
Seu noivo, para ficar com outra mulher, ignorava completamente o respeito pela noiva diante de todos.
A luz do corredor do hospital parecia ofuscante, tão brilhante que tudo à sua frente ficou branco, impossível de enxergar com clareza.
Sophia sabia que permanecer ali a tornaria uma piada aos olhos dos outros. Ela não queria ser vista como um motivo de chacota.
Apertou a bolsa nas mãos, se virou e começou a sair.
Ao dar o primeiro passo, seu corpo vacilou, quase desmaiando.
Samuel e Gabriel avançaram rapidamente, segurando seus braços de ambos os lados, gentis e educados.
— Vou acompanhá-la até o carro. — Disse Samuel.
Sophia apoiou a mão na parede para se estabilizar e, recuperando o fôlego, recusou a ajuda:
— Estou bem, posso ir sozinha.
Seu corpo se afastou cambaleante, mas ela continuou andando pelo corredor, firme, até desaparecer da visão deles.
Davi, de volta ao quarto, olhou para Valentina, magra e pálida, deitada na cama, e sentiu um aperto no peito. O cheiro de álcool e desinfetante no ar só aumentava sua irritação.
Ele puxou a gola da camisa, desabotoando os dois primeiros botões, mas ainda assim sentia que o ar estava sufocante, dificultando a respiração.
Abriu a porta do quarto novamente; do lado de fora, apenas Samuel e Gabriel estavam presentes, sem sinal de Sophia.
— Ela foi embora? — Davi perguntou, se sentindo estranhamente aliviado com a ausência dela.
Valentina não seria perturbada enquanto dormia.
— Sim, ela foi. — Respondeu Samuel, com as mãos enfiadas nos bolsos do jaleco branco, acenando com a cabeça.
Davi, vendo que os dois estavam ali, não perguntou como Sophia havia ido embora.
— Vou sair para fumar um cigarro. — Disse ele.

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