-Você matou minha mãe!- O corpo inteiro de Alessandro tremia de fúria enquanto seu grito ecoava pela sala como um trovão, e os olhos de Maria se arregalaram. Instintivamente, ela os fechou e virou a cabeça, incapaz de suportar a feroz e ardente raiva no olhar de Alessandro.
A carta tremulava em sua mão, pega por uma rajada de vento, atraindo seu olhar de volta para ela. Os olhos de Alessandro suavizaram, passando da fúria para um olhar impotente e assombrado enquanto ele encarava a caligrafia de sua mãe - a única peça que lhe restava. -Ela queria que eu soubesse-, ele começou, sua voz subitamente carregada de emoção, -que ela me amava e queria que eu estivesse seguro. Então, ela escolheu desaparecer da minha vida, para me proteger.
Sua voz tremia com o peso de suas palavras, e seus olhos transbordavam de dor e remorso. Ele passara tantos anos mal-entendendo, até odiando, sua mãe. Agora, a verdade de seu sacrifício o dilacerava, uma revelação insuportável. -Porque Maria a ameaçou-, ele rosnou, sua voz se endurecendo a cada palavra, -de deixar meu pai e eu sozinhos e desaparecer de nossas vidas se ela quisesse que ficássemos vivos.
A mandíbula de Alessandro se apertou enquanto um brilho mortal faiscava em seus olhos. Seus punhos se fecharam em torno da carta, amassando-a em seu aperto enquanto sua raiva transbordava. A sala parecia escurecer com a força de sua fúria, e era claro que alguém enfrentaria todo o peso de sua ira hoje. Haveria sangue, e não haveria misericórdia.
-Isso... isso não é verdade!- Maria chorou, seus olhos transbordando de lágrimas enquanto encarava Alessandro. Ela podia ver sua própria morte diante de si na forma de um filho furioso, pronto para vingar o sangue de sua mãe.
-Alguém está tentando me incriminar, filho. Você me conhece - como eu sacrifiquei tudo por você e a felicidade de seu pai-, Maria implorou, sua voz tremendo de desespero. -Como eu poderia fazer algo assim?
Um conflito se agitava no coração de Alessandro. Ele nunca encontrara nada suspeito sobre Maria antes; ela sempre parecera leal e dedicada. Mas como a carta escrita à mão de sua mãe poderia ser falsa?
-Sua mãe fugiu com seu amante e deixou esta carta para plantar uma semente de ódio em seu coração-, explicou Maria em uma voz encharcada de impotência e dor. -Estou feliz que você não a tenha encontrado naquela época, ou teria acreditado em suas mentiras.
Ela colocou cada grama de suas habilidades de atuação em suas palavras, tentando desesperadamente convencer Alessandro de que ela estava certa e sua mãe era quem o havia prejudicado.
-Como você pode culpar a mamãe?- Vittoria interveio, apoiando Maria. -Ela até matou o próprio filho para te salvar-, lembrou Alessandro em um tom impregnado de amargura.
Alessandro franziu o cenho, seu rosto ainda mais nublado com o conflito. Ele não conseguia decidir em quem acreditar - na mulher que o criara ou em seu pressentimento, que sussurrava que sua mãe fora uma vítima o tempo todo. Seu coração vacilava entre as acusações atuais e a verdade perturbadora da carta de sua mãe.

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