-Aquela herança pertence legitimamente a Alessandro e aos nossos filhos. Estou reivindicando porque Alessandro teve filhos antes de completar trinta anos. Gia e Maximo têm cinco anos e são seus filhos,- Mia declarou, enfrentando o olhar desafiador de Maria.
Maria cerrou os dentes de raiva enquanto a inveja queimava em seu peito. No entanto, manteve a voz firme e indiferente. -Você acha que pode simplesmente afirmar que seus filhos são de Alessandro, e nós vamos acreditar em você?!- ela provocou. -De jeito nenhum! Meu filho pode cair em suas mentiras, mas eu não. E não vou deixar que ele seja enganado por seu encantador engano,- Maria declarou ao dar um passo à frente, colocando-se entre Mia e Alessandro.
Mia ficou perplexa com a falsa preocupação que sua madrasta estava fingindo. Esta era a mesma mulher que havia matado seu próprio filho, e agora parecia mais preocupada com Alessandro, que era apenas seu enteado. Mia não estava comprando. Ela olhou para Alessandro, que rapidamente se afastou de Maria e veio ficar ao lado dela.
-Que tipo de prova você quer?- Mia desafiou com uma voz divertida. -Qualquer um com olhos pode ver que Alessandro é o pai deles. A aparência dos meus filhos claramente mostra a semelhança.
Maria riu. -As aparências podem enganar. A lei não reconhece aparências como prova de relações sanguíneas. Precisamos de mais do que apenas uma semelhança.
-Então um teste de paternidade deveria ser prova suficiente para reivindicar a herança, certo?- Mia ergueu o queixo, seu olhar inabalável e firme.
Por um segundo, hesitação e perplexidade passaram pelo rosto de Maria. Ela claramente não esperava que Aria fosse tão franca e ousada - a antiga Aria sempre foi tímida e nervosa. Ela não podia acreditar que era verdadeiramente aquela Aria nervosa e inocente diante dela com um sorriso confiante.
-Sim, isso seria apropriado,- Maria respondeu, rapidamente disfarçando sua surpresa com uma expressão indiferente fingida. -Seria melhor ter isso confirmado cientificamente.
-Não precisa!- Alessandro interrompeu, seu rosto tenso de irritação, sua voz carregada de frustração e tédio. -Eu já disse que não preciso de nenhuma evidência para saber que são meus filhos. E, para constar, não estou interessado nessa herança,- ele declarou.
Aquela maldita herança! Ele corrigiu em sua mente. Foi aquela riqueza e dinheiro que o fez causar tanta dor à sua esposa quando tudo o que ela merecia era ser adorada e valorizada.
-Querido, você sacrificou tanto e fez de tudo para manter sua herança ancestral intacta. Se você não reivindicar o que é seu por direito, seu avô ficará muito chateado no céu,- Mia lembrou significativamente ao marido. -Seu avô deixou para você, e mais ninguém deveria ter o que pertence à sua família por gerações,- ela insistiu.
Mia tinha um profundo respeito pelo avô de Alessandro. O velho sempre a tratara com gentileza, entendendo que ela era órfã e não tinha família. Ele cuidara dela como se fosse sua própria e foi por isso que ele queria que ela se casasse com seu neto, Alessandro, para garantir que ela tivesse uma boa vida. Infelizmente, devido à sua idade avançada e saúde debilitada, ele faleceu pouco depois de seu casamento. No final, seus desejos se tornaram realidade - ninguém poderia ter sido um melhor par para ela do que Alessandro. Ele era verdadeiramente o destinado para ela.
Maria encarou Mia, seus olhos faiscando de raiva como se estivesse atirando facas. Mas Mia a ignorou, escolhendo não deixar Maria estragar seu humor. Ela acabara de retornar à casa de seu marido e estava determinada a acertar as coisas desta vez. Não mais a jovem inocente que ela era, Mia havia visto as duras realidades do mundo, viajando amplamente e lidando com indivíduos inescrupulosos enquanto administrava negócios e criava filhos sozinha.

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