Ao concluir, embalado por uma salva de palmas ensurdecedora, o Sr. Ricardo depositou gentilmente a mão de Winter na palma estendida de Jaques, que já se aproximara.
Sobre o casamento ou sobre a Família Souza, ele não disse uma única palavra.
Aquele gesto, no entanto, dizia absolutamente tudo.
Era um recado não apenas para o mundo, mas também para Jaques.
A partir daquele dia, ninguém ousaria maltratar Winter!
Um apoio tão inabalável que Winter jamais deixaria de sentir.
Qualquer distanciamento que ainda morasse em seu coração dissipou-se por completo naquele instante.
— Vovô, vovó. — murmurou ela, com a voz embargada, virando-se para abraçar os avós simultaneamente em um gesto de pura emoção.
Se a cena no palco tocava o coração de muitos, havia também quem a observasse das sombras.
Em um canto pouco iluminado, um homem jovem, de silhueta esguia, mantinha o olhar fixo e cortante sobre a figura de Winter.
Especialmente ao ouvir que Winter era a filha de Inês, a mão que segurava a taça apertou-se bruscamente, deixando os nós dos dedos brancos, enquanto um clarão sombrio cruzava o seu olhar.
Uma expressão que logo se esvaiu.
A partir dali, continuou a fuzilar o palco com frieza, esperando que ninguém mais prestasse atenção nele para recuar até a parede e sacar o celular.
— Alô?
— Senhora, eu acho que... acabo de ver a filha do jovem mestre!
Winter acompanhou o Sr. Ricardo e a esposa para cumprimentar os convidados.
Os velhos amigos da Família Neves.
As famílias tradicionais que mantinham laços com eles.
Os parentes próximos e distantes.
...
Erguendo a taça e caminhando por entre a multidão, participava de brindes e formalidades sem fim.
— Vovô, vovó.
— Será que eu poderia roubar a minha esposa de vocês por alguns instantes?
Com a delicadeza de um verdadeiro cavalheiro, estendeu a mão e segurou o braço de Winter.
O tom era suave, mas a atitude evidenciava uma pressa possessiva.
— Você é mesmo terrível, rapaz! Passou o tempo todo vigiando daqui, sabendo que ela estava cansada? — A avó Flávia soltou uma risada exasperada ao ver que ele já puxava a neta para os seus braços.
Jaques não fez questão de negar.
Deslizando a mão pelo braço dela, entrelaçou os dedos nos de Winter.
— Sendo assim, vou levá-la para descansar um pouco. Mais tarde venho me desculpar adequadamente com os senhores. — Respondeu ele em voz baixa e reverente aos anciãos, após puxá-la um pouco mais para si e usar o próprio corpo como escudo contra a curiosidade alheia.
— Podem ir. Hoje o dia realmente exigiu muito da nossa Winter. — O Sr. Ricardo, notando o instinto protetor do rapaz, não conseguiu esconder o sorriso nos olhos.
— Não há mais ninguém tão importante que precise ser recebido, então não tenham pressa de voltar.

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