"Hehehe—" Miguel sorriu de maneira boba. "Foi incrível. Esse carro que vale mais de cem milhões de reais, você disse que era meu e pronto, sem hesitar. Você é realmente generosa." Miguel ficou tão animado que quis abraçar Jaqueline novamente.
Jaqueline viu a mão dele se aproximar e, ao lembrar da expressão enciumada de Sávio, recuou rapidamente um passo.
E acabou indo parar direto nos braços de Sávio.
Jaqueline disse: "Já chega, Miguel, eu sei que você está muito agradecido, mas não precisa me abraçar toda vez."
Miguel estava emocionado, extremamente emocionado. Ele começou a chorar enquanto falava: "Jackie, você é melhor que meus pais. Meus pais nunca dariam cem milhões pra eu comprar um carro de corrida."
"Eles só acham que eu sou um irresponsável. Só estou atrás do meu sonho, mas no coração deles, isso é imperdoável."
"Jackie, você tem dinheiro pra se divertir, não sabe o quanto eu sofro."
Jaqueline respondeu: "…"
E ainda acrescentou: "Mas pelo menos você está se divertindo com sucesso."
Os irmãos da família Pires, por exemplo, desistiram no meio do caminho. Viviam dizendo que queriam correr de carro, mas nunca chegaram a pisar de verdade num autódromo.
"Certo, precisamos ir agora. Qualquer coisa, me avise."
Jaqueline queria reencontrar aquele irmão, Irmão Kleber, que não via há quase quatro anos.
Miguel sabia que não conseguiria convencê-la a ficar: "Tudo bem! Jackie, vá na frente. Quando eu voltar pro Brasil, a gente se encontra, e eu vou te levar pra comer um banquete, tem que ir, hein!"
Miguel sempre foi generoso, e seu sorriso era genuíno.
Jaqueline sorriu levemente: "Miguel, você não é nada do que dizem por aí. Todos falam que você é um playboy inconsequente e rancoroso, mas não esperava que você fosse assim, tão generoso."
"Ah, quem acredita em fofoca? Eu só acredito nas lendas."
"Ha ha—" Jaqueline também riu, feliz.
Ele sorriu friamente: "Três anos sem falar comigo, e quando atende o telefone já está chorando. Jaqueline, o que significa isso?"
Jaqueline estava muito abatida. Ela murmurou: "Irmão Kleber, me desculpe. Fui eu que te decepcionei. Vim te ver, estou aqui embaixo do prédio da sua empresa."
A mão de Fabiano Freitas, segurando o telefone, tremeu levemente. Já faziam três anos. Na verdade, todo ano ele voltava ao Brasil e a observava de longe. Ao ver aquele estado abatido dela, ele sempre ia embora irritado.
Eles criaram e mimaram tanto a irmã caçula, mas, por causa daquele chamado laço de sangue, ela teve que suportar tamanha humilhação.
Ele não conseguia aceitar que alguém tão inteligente quanto ela pudesse viver de maneira tão submissa. Não suportava ver aquilo, então comprava uma passagem e ia embora na mesma noite.
Nos últimos seis meses, ele não voltou mais, mas aquela tinha sido a escolha de Jackie.
Que direito ele tinha de interferir nas escolhas dela? Se ela estava feliz ou sofrendo, era uma decisão dela.
Ela já estava sofrendo demais. Como irmão, não seria certo maltratá-la ou ser duro com ela, não é?

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