A Dra. Barros não se demorou. Ela havia recebido a ligação de uma antiga acolhida do orfanato, que também estava na Cidade Alvorecer trabalhando nas redondezas e decidiu passar para vê-la.
— Diretora, trouxe estes pães da padaria onde trabalho. Espero que goste. Sinto muito por não ter arrumado um tempo para levá-la para jantar, ando tão ocupada — disse a jovem, feliz, mas um tanto acanhada, parando sua lambreta elétrica diante da Dra. Barros na beira da calçada.
— Não se preocupe com isso. Eu vim resolver umas coisas e logo preciso voltar. O orfanato exige muito de mim — tranquilizou-a a Dra. Barros, dando um abraço afetuoso na garota.
— Me desculpe, diretora. Eu continuo sendo um fracasso — lamentou a garota, com os olhos subitamente marejados.
— Conseguiu alugar um lugar para morar? — indagou a Dra. Barros, enxugando as lágrimas da jovem.
A jovem fez que sim com a cabeça.
— Tem passado fome? — perguntou novamente.
A garota negou.
— Tem passado frio? — insistiu a mais velha.
A menina voltou a balançar a cabeça em negação.
— Então você já é uma vitoriosa — consolou a Dra. Barros, abraçando-a mais uma vez. — Ser capaz de se sustentar já é um grande feito. A imensa maioria das pessoas neste mundo leva vidas comuns.
— Mas eu precisei lutar com unhas e dentes só para conseguir ser alguém comum — desabafou a jovem, com uma ponta de mágoa.
— Sendo assim, a partir de hoje, dedique-se a ser uma pessoa comum, mas plenamente feliz — aconselhou a Dra. Barros, dando-lhe tapinhas nas costas.
Conversaram mais um pouco até a jovem ser chamada pelo trabalho via telefone. A Dra. Barros observou enquanto ela partia, a lambreta ziguezagueou de início, mas logo ganhou firmeza na pista.
Com os olhos marejados, a Dra. Barros acompanhou a silhueta da garota desaparecer na esquina. Segurando o pãozinho que a menina encontrara um tempo para lhe trazer, deu meia-volta e retornou à clínica.
Robson e seu acompanhante ainda não haviam ido embora.
A Dra. Barros lançou a Robson um olhar mais demorado, e ele lhe retribuiu com um aceno polido de cabeça.
— Diretor Simões, quem é este senhor? — perguntou a Dra. Barros, incapaz de conter a curiosidade.
— Ele é um amigo próximo da família, o Sr. Siqueira — apresentou Rodrigo.
— Siqueira? — A Dra. Barros buscou na memória e, de repente, uma luz se acendeu. — O Secretário Siqueira?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...