Lembrando que Léo também era da área de tecnologia inteligente, a primeira reação de Inês foi questionar:
— Você quer que o Léo vá trabalhar no seu centro de pesquisa?
— ... — calou-se Rodrigo.
Estava mais do que provado: Inês não nutria o menor interesse amoroso por Léo.
Quanto ao interesse de Léo nela, Rodrigo precisava ficar em alerta de qualquer modo.
Na verdade, qualquer um ao redor precisava ser vigiado.
Especialmente aquele carrapato grudendo chamado Alice.
Nem mesmo Didi e Mumu escapavam; era só ver a Inês e já começavam a abanar o rabo e esfregar a cabeça nela o tempo todo.
De tanto matutar, Rodrigo acabou se irritando sozinho.
Eles ainda estavam na escada quando Rodrigo subitamente estacou. Percebendo a mudança brusca, Inês parou também.
Eles trocaram olhares.
A luz ativada por voz se apagou.
As silhuetas de ambos mergulharam na escuridão.
Inês deu uma tosse leve, reacendendo as luzes do corredor, e perguntou a Rodrigo:
— Cansou de subir?
Eram apenas três lances de escada. Como um homem atlético e cheio de vigor feito Rodrigo poderia estar cansado?
— Sim. — respondeu Rodrigo.
Sem o rosto corar e sem o coração acelerar.
Inês olhou para cima, para o próprio apartamento, e disse num murmúrio:
— Descanse um pouco, então.
Os dois continuaram parados ali. Vendo o ar de seriedade de Inês, Rodrigo não resistiu, soltando um riso fraco, murmurou uma repreensão:
— Você não aprende.
Repreendida do nada, Inês indagou:
— O quê?
Rodrigo levantou a mão mais uma vez e afagou-lhe os cabelos. Os fios eram tão macios que ele não pôde evitar acariciá-los um pouco mais.
— Eu já te disse, não se deve confiar totalmente no que os outros dizem, apenas uns setenta por cento.
Ele recuou a mão:
— E eu não sou exceção. Vamos.
Vestia apenas uma camisa branca e um colete preto; a gravata bordô com listras estava ligeiramente afrouxada. Um par de braçadeiras escuras prendia-lhe as mangas, revelando o relevo dos músculos a cada vez que levantava os braços.
Seu perfil possuía traços esculturais e um nariz de ponte reta. Usando as palavras da moça que havia cuidado da maquiagem de Inês tempos atrás, tinha proporções perfeitas.
Rodrigo era dono de uma beleza inquestionável, de qualquer ângulo. O clássico homem atraente de tirar o fôlego.
Assim como Alice, havia herdado com perfeição a beleza dos pais. Porém, a linha de suas sobrancelhas puxava mais a severidade do pai, enquanto as feições de Alice herdaram a suavidade da Sra. Paz.
Sentindo que ela o observava, Rodrigo murmurou:
— Me passa um.
Inês aproximou-se e entregou um livro a Rodrigo, que o encaixou na prateleira superior da estante.
Pela distância, ele poderia simplesmente estender a mão para pegá-lo sozinho e colocar no lugar, mas preferiu envolvê-la na tarefa.
Pelo que havia observado ultimamente, Inês não fazia o tipo de pessoa que joga o trabalho para cima dos outros enquanto aproveita o descanso, contentando-se em ditar ordens.
Na cabeça de Inês, não existia a ideia de que um carrega o fardo sozinho enquanto o outro apenas assiste; ela sempre preferiu caminhar lado a lado.
Enquanto os dois terminavam de organizar a biblioteca e a Sra. Silveira, na cozinha, preparava o jantar para Rodrigo, Alice afastou-se em silêncio e atendeu uma ligação dos pais.
Ao telefone, a Sra. Paz avisou:
— O presente de mudança que separamos para a Inês chegou no portão do pátio dez. Vá lá receber.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...