Inês assentiu novamente:
— Sim.
— Daniela Tavares cuidará dos preparativos. — garantiu Rodrigo.
Seu tom não abria espaço para questionamentos. Dito isso, virou-se e saiu, sem sequer dar a Inês a chance de argumentar.
Alice viu o irmão sair e comentou, com um toque de lamento:
— Menos um braço para o trabalho pesado.
Inês não pôde evitar uma risada muda.
Ela também se sentou no sofá para descansar um pouco, recostando a cabeça ao lado de Alice para encarar o teto branco, esvaziando a mente.
— Inês, que dia vamos fazer as unhas?
— Que tal amanhã?
Inês virou o rosto para encará-la:
— Amanhã preciso ir ao laboratório.
Alice fez um biquinho:
— Quanta dedicação.
— Pretendo iniciar os testes do produto na primavera deste ano. Podemos ir à noite. — explicou Inês.
Alice sentou-se num pulo:
— Então amanhã à noite. Vou ligar para o salão e agendar.
Assim que ela terminou de falar, a Sra. Silveira retornou.
Inês pediu que a Sra. Silveira também se sentasse para descansar um pouco, deixando a arrumação para mais tarde.
A Sra. Silveira garantiu que não estava cansada e já começou a organizar a cozinha. Inês e Alice, sentindo-se já recompostas, levantaram-se para ajudar com o restante das coisas.
Primeiro organizaram as roupas no quarto, depois passaram para as estantes de livros, e, por fim, distribuíram os pequenos objetos decorativos.
Inês pendurou na varanda o mensageiro dos ventos feito de pinhas que as crianças haviam montado. A cada brisa, o enfeite produzia um som nítido e delicado.
O design de inspiração vintage privava o ambiente de cores em excesso. Os tons de nogueira predominavam, contrastando com as paredes em branco-creme, emanando uma sobriedade suave e acolhedora. Havia uma serenidade temporal ali, uma quietude e sofisticação únicas.
Havia recebido um elogio.
Os lábios de Inês se curvaram levemente num sorriso charmoso.
Ela respondeu com um "obrigada".
A Sra. Silveira aproximou-se com o chá de flores, pousou-o na mesa de centro e serviu três xícaras fumegantes. Com receio de que as duas fossem beber de imediato, alertou-as para esperarem um pouco, voltando em seguida para a cozinha para cortar algumas frutas.
A Sra. Silveira também se sentou e descansou por meia hora, até que o entregador de mantimentos chegou ao portão do pátio dez. Era preciso descer para pegar as coisas; quando ela se levantou, Inês e Alice fizeram o mesmo.
A Sra. Silveira deu uma risadinha e não recusou a companhia. Porém, na hora de carregar as sacolas, com medo de que as duas fizessem muito esforço, não parava de exclamar: "Menina Alice, Sra. Jardim! Vocês não podem roubar o meu emprego assim!"
As três subiram carregando as compras.
Inês amarrou um avental na cintura e, antes que a Sra. Silveira pudesse protestar, avisou:
— Vou receber convidados mais velhos para jantar, o mínimo que posso fazer é preparar as minhas especialidades.
Ela não detestava cozinhar; na verdade, se tivesse tempo, até gostava de ir para a cozinha. Do ponto de vista psicológico, o ato de cozinhar aumentava a concentração.
Contudo, a partir de agora, ela só cozinharia para si mesma e para quem lhe desse um retorno positivo, e nunca mais para pessoas como a Família Rocha, que comiam a comida dela e ainda faziam questão de procurar defeitos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...