Sra. Silveira assentiu, demonstrando ter entendido. Logo depois, enviou uma mensagem para o jovem patrão, avisando que Inês jantaria mais tarde naquele dia e que, se ele estivesse com fome, deveria comprar algo para enganar o estômago.
Rodrigo leu a mensagem logo após entrar no carro. Ele estava a caminho para buscar Inês e levá-la ao trabalho.
Ele perguntou a Sra. Silveira o que Inês iria fazer. Ao descobrir que ela iria até a Avenida Marcos para inspecionar uma casa, Rodrigo teve uma ideia rápida e disse ao motorista: — Depois de deixarmos a Inês, você vai até a mansão da família resolver um assunto para mim.
O motorista assentiu.
Assim que o carro se aproximou da Mansão Nove, o motorista avistou Abel e avisou Rodrigo, que estava no banco de trás.
O carro parou no exato momento em que Inês saía de casa, pronta para o trabalho. Os três acabaram ficando frente a frente.
Normalmente, Rodrigo ficava dentro do carro esperando que Inês entrasse, mas dessa vez ele desceu, lançando um olhar gélido sobre Abel.
Que sujeito inconveniente.
— Inês, bom... bom dia. — Abel a cumprimentou sem jeito, como se tivessem acabado de se conhecer.
Inês apenas lhe lançou um olhar rápido, sem dar qualquer resposta, e abaixou a cabeça para entrar no carro.
Como de costume, Rodrigo andou logo atrás de Inês. Seu corpo alto e esguio a cobria completamente da vista de Abel.
— Inês, a culpa foi toda minha no passado. Eu não espero que a gente volte a ser como antes, e nem espero que me perdoe. Mas, por favor... não me ignore. — Abel falou apressadamente.
Tanto o seu tom de súplica quanto a sua expressão arrependida o faziam parecer lamentável.
— Você não faz mais parte da minha vida, Abel. — Inês virou a cabeça e o encarou por um breve momento.
— Um ex-marido decente deveria agir como se estivesse morto: em absoluto silêncio. — Rodrigo disparou.
Os olhos de Abel ficaram injetados de sangue.
— Inês.
Ele chamou o nome dela em um tom doloroso, mas não obteve nenhuma resposta.
Com o carro se afastando, Abel gritou a plenos pulmões: — Inês!
Junto com o grito, as lágrimas também rolaram pelo seu rosto.
O motorista observou a figura solitária encolhendo no espelho retrovisor, que pareceu soltar outro grito desesperado.
Os dois entraram juntos no Grupo Simões. Após passarem pelo saguão do primeiro andar, seguiram caminhos diferentes: Inês foi para o laboratório no subsolo e Rodrigo se dirigiu ao escritório do presidente.
Perto do meio-dia, Adrian Soares apareceu na sala da presidência do Grupo Simões, onde Mateus Duarte já estava presente.
— Que coincidência encontrar o senhor aqui, advogado Duarte. — comentou Adrian.
— Boa tarde, Dr. Soares. — respondeu Mateus.
Adrian sentou-se no sofá e começou a contar sobre as informações que conseguiu no orfanato, destacando um detalhe crucial: — A Sra. Jardim foi abandonada enrolada em uma manta que, normalmente, seria usada para meninos. Acha que foi rejeitada pela preferência por filhos homens?
— Abandonada? — Mateus franziu a testa. — Em que ano exatamente a Dra. Jardim foi encontrada?
Rodrigo mencionou a data de nascimento registrada nos documentos de Inês.
— Foi naquele ano? — Mateus ficou surpreso.
— O que tem de especial nisso? — perguntou Rodrigo.
— Não é nada demais. Só me lembrei de que foi exatamente naquele ano que as leis sobre abandono de incapaz passaram por uma grande reforma no nosso país. — explicou Mateus.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...