— Claro. — Julieta Lima ergueu levemente o queixo.
Ela não acreditava que Inês Jardim tivesse a capacidade de investigar no exterior, e do recebimento da notificação extrajudicial até o adiamento da audiência, haviam se passado apenas pouco mais de quinze dias.
Quinze dias para investigar os seus gastos de mais de três anos no estrangeiro? Uma piada.
Por isso, ela nem sequer revelou ao Sr. Advogado Matos a situação exata daqueles três milhões mensais.
Com um contrato de investimento nas mãos, não se preocupava muito com a questão das 'despesas de pesquisa científica'.
A principal responsabilidade do Sr. Advogado Matos era justificar os bens que Abel Rocha lhe dera após o seu regresso ao país, a fim de reduzir o montante a ser devolvido.
No entanto, até hoje ela não conseguia compreender muito bem como os cento e dezoito milhões mencionados na notificação extrajudicial haviam sido calculados.
Se as 'despesas de pesquisa científica' fossem incluídas, o valor ultrapassaria muito essa quantia.
Se contassem apenas os carros, imóveis e joias que recebeu após a sua volta, também seria impossível chegar a um valor tão elevado.
Ao ouvir a resposta tão convicta de Julieta, Inês não continuou a questioná-la, seguindo o plano original, e trocou um olhar com o Sr. Advogado Duarte, que estava ao seu lado.
— Meritíssimo, a nossa parte apresenta quatro conjuntos de provas. — declarou o Sr. Advogado Duarte ao levantar-se.
— Primeiro, os extratos bancários que provam que, durante os quatro anos e cento e quarenta e cinco dias de casamento, Abel transferiu um valor fixo de três milhões mensalmente para Julieta durante três anos e quatro meses, sob a rubrica de 'despesas de pesquisa', totalizando transferências superiores a cento e vinte milhões.
Rodrigo Simões havia perguntado a Inês quanto tempo ela fora casada com Abel. Inês respondera quatro anos e cento e quinze dias; Mateus Duarte estava contabilizando também os trinta dias do período de reflexão para o divórcio.
O que deixou Abel ocupar o título de marido de Inês por mais trinta dias em vão.
Quanta ironia.
— Segundo, comprovantes de compra e registos de imóveis, veículos e joias, provando que todos os bens foram pagos integralmente por Abel e registados no nome de Julieta, sem qualquer contrapartida financeira. — continuou Mateus no tribunal.
A tensão de Julieta começou a transparecer gradualmente no seu rosto.
Para qualquer pessoa com o mínimo de dignidade, ver coisas tão indecentes caírem sob o olhar dos mais velhos da família seria insuportável.
O olhar assustado de Julieta recaiu sobre o rosto do Sr. Ximenes e dos seus pais. O semblante deles estava terrivelmente sombrio, misturando raiva, desgosto e, acima de tudo, uma profunda sensação de humilhação.
Julieta havia, pelas próprias mãos, pregado a sua família no pelourinho da vergonha.
O Sr. Advogado Matos sussurrou a Julieta que a relação de amante estava totalmente confirmada e que não havia como contestar aquilo. A única esperança era evitar a devolução das despesas de pesquisa científica.
O corpo de Julieta esfriou por inteiro, a ponto de tremer levemente.
O Sr. Advogado Matos lembrou-lhe novamente que ela tinha meios para devolver os carros, imóveis e joias adquiridos após retornar ao país; o ponto crucial residia naquelas verbas de pesquisa.
Uma quantia exorbitante de cento e vinte milhões!
— Meritíssimo, antes de regressar ao país, a minha cliente mantinha apenas uma relação legítima de parceria e investimento com o segundo réu. As transações financeiras entre as partes basearam-se em projetos de pesquisa científica, possuindo um verdadeiro fundamento contratual e propósitos comerciais. — argumentou o Sr. Advogado Matos com serenidade, após levantar-se e olhar para o juiz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...