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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 500

Covarde como sempre, que só crescia para cima dos mais fracos, Mariana tratou de se esconder rapidamente atrás do irmão e de Alex.

Temendo que a ala do hospital virasse palco de mais um barraco, sem um segundo de paz, Alex apelou ao bom senso:

— Sr. Siqueira, por favor, vá embora. Se quer mesmo ajudar a Julieta, deveria estar pensando em como defendê-la no tribunal na semana que vem, para que ela tenha que devolver o mínimo de dinheiro possível.

— Processo para devolver dinheiro? — indagou Douglas.

— Exatamente. Certas coisas sempre precisam ser devolvidas. Ninguém foge à regra, nem mesmo o Abel. — confirmou Alex.

Douglas estava pronto para questionar a masculinidade de Abel — afinal, que tipo de homem processa uma mulher para exigir de volta o dinheiro que gastou com ela? No entanto, a última frase de Alex o fez perceber, de súbito, que havia algo errado naquela história.

Agora ele compreendia exatamente do que se tratava o processo.

E sabia perfeitamente quem era a autora da ação.

Após finalmente despachar Douglas, Alex virou-se para Mariana:

— Dê um copo de água ao seu irmão, ele precisa tomar os remédios.

Mariana obedeceu em silêncio e foi buscar a água.

Ela sabia que se não agradasse aos pais e ao irmão, acabaria sendo enxotada de casa para trabalhar o resto da vida.

Exausto, Abel sentou-se e disse a Alex:

— Vou precisar da sua ajuda nesses próximos dias. Não consigo me ausentar do hospital.

Alex assentiu compreensivamente e perguntou com seriedade:

— Você vai mesmo vender todos os carros e casas? Abel, eu ainda tenho um pouco de dinheiro comigo...

— Não se preocupe. — Abel recusou educadamente a oferta do amigo. — Vender os carros e as casas será o suficiente para cobrir os custos da cirurgia e do tratamento da minha mãe.

— Mas onde você vai morar?

— Eu não aluguei uma casa na Mansão Serra Sul? Vou morar lá.

A expressão de Alex tornou-se indescritível. Morar de aluguel jamais se compararia ao conforto da casa própria.

— Irmão, você vai vender as casas? Quais? A sua? A dos nossos pais? Ou a minha?! — O pânico tomou conta de Mariana, apavorada com a ideia de perder o seu dote mais valioso.

Abel encarou a irmã com firmeza:

— Todas.

Mas, se não mentisse, como o faria acreditar na sua versão dos fatos?

Sem dizer uma palavra, Julieta pegou o celular e buscou a foto do contrato de investimento que Maicon a obrigara a assinar.

Ela estendeu o aparelho na direção dele, em absoluto silêncio.

Sua intenção era que Douglas preenchesse as lacunas da história com a própria imaginação.

Embora o conteúdo do contrato estivesse incompleto na imagem, bastava ler um pouco para entender a situação:

— Todos os seus fundos de pesquisa no exterior foram financiados pelo Abel?

Julieta confirmou com um aceno.

— E agora a Inês está processando você para recuperar esse dinheiro?

Julieta assentiu mais uma vez, deixando que as lágrimas caíssem copiosamente, exibindo a imagem perfeita de uma vítima injustiçada.

Douglas franziu a testa, pensativo. Ao seu lado, Lucinda prontamente interveio:

— Não se preocupe, irmão. Eu indiquei o Sr. Advogado Matos para a Julieta. Com esse contrato de investimento como prova, a vitória deles não é garantida.

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