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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 490

Abaixando o olhar, ela disse:

— Não, eu não acho que você me envenenaria.

Era apenas choque.

O estupor de descobrir que o líder de uma família da mais alta elite cozinharia macarrão de arroz.

Esse prato simples jamais fizera parte do cardápio da Família Rocha. Abel não chegava a desprezá-lo, simplesmente não estava acostumado.

Mas tanto Rodrigo quanto Abel haviam nascido e crescido na Cidade Alvorecer, seus hábitos alimentares não deveriam diferir tanto assim.

— Sra. Jardim, um pouco de água morna. — A Sra. Silveira trouxe o copo.

Inês bebeu quase meio copo, limpou os cantos da boca novamente e perguntou a Rodrigo:

— Como você teve a ideia de fazer esse macarrão?

— Para você comer. — respondeu ele.

A resposta foi direta demais.

Inês ficou momentaneamente sem palavras e até sentiu uma repentina vontade de ir embora.

Rodrigo notou que a ponta do pé dela se virara discretamente na direção da porta.

Ele a havia assustado.

Rodrigo falou mais uma vez:

— Gentileza gera gentileza. Você não me fez uma coxinha do tamanho de um punho?

— Pelo visto, esqueceu o que eu te falei.

Por um instante, Inês realmente não conseguiu lembrar a qual frase ele se referia.

— Você já me disse muitas coisas, Rodrigo.

Ao lado, a Sra. Silveira murmurou baixinho:

— É a primeira vez que alguém acusa o jovem mestre de falar demais. Será que toda panela tem sua tampa?

O volume da voz fora tão baixo e, como ela estava posicionada um pouco atrás deles, os dois não escutaram.

— Tente se lembrar sozinha. — disse Rodrigo.

— Ah.

Aquele ímpeto efêmero de ir embora se dissipou gradualmente. Ela estava quebrando a cabeça para tentar associar a situação a alguma fala de Rodrigo.

Rodrigo voltou a se sentar e olhou para o prato de macarrão na frente dela:

— Vai comer mais?

Inês pegou o garfo novamente:

— Vou.

— Mas esta foi a primeira vez do nosso jovem mestre na cozinha. Então, releve se algo não estiver perfeito, Sra. Jardim.

Inês balançou a cabeça:

— Não, está excelente. O macarrão ficou delicioso.

Ela comeu tudo, não deixando sobrar nada na tigela.

Rodrigo avisou:

— Não coma demais, vai acabar ficando empanturrada.

Inês assentiu:

— Está bem.

— Hum. — Rodrigo manteve o rosto sereno, mas o coração transbordava de satisfação.

Sua alegria não vinha do fato de Inês ter devorado a comida feita por ele, mas sim por ela não ter se derretido de gratidão por causa de um simples prato de comida.

Essa era, afinal, a maior mudança que Inês precisava fazer.

Era apenas uma singela porção de macarrão, nada mais.

Rodrigo jamais ousaria pensar que bastava lhe preparar uma refeição para conquistar o coração dela.

Se fizesse isso, que diferença haveria entre ele e aquele canalha do Abel?

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