— Que bom que ele pôde ajudar. Se não desse certo, eu teria medo de que meu irmão ficasse preocupado. — Lucinda sentou-se, sinalizando para o Sr. Advogado Matos que ele podia retornar ao hotel.
O Sr. Advogado Matos havia viajado de outro estado especialmente para aquilo.
Após a saída do advogado, Lucinda olhou fixamente para Julieta e perguntou:
— Julieta, depois de tudo isso, você ainda vai continuar com o Abel?
O coração de Julieta deu um pulo, e ela perguntou, levemente tensa:
— Por que a pergunta?
— Tenho receio de que você continue com ele por causa do bebê. Ficar com o Abel é como pular numa fogueira. Você não deveria fazer isso, e tenho certeza de que meu irmão também não gostaria de te ver nessa situação.
O peso no coração de Julieta desapareceu. Então era esse o motivo.
— Não sei. — Um brilho astuto passou pelos olhos dela enquanto respondia a Lucinda. — Na verdade, o Abel nunca quis essa criança. Ele tentou me convencer a abortar várias vezes, mas eu não consegui. Afinal, é meu filho.
— Eu entendo. Se não quiser mais seguir com o Abel, considere o meu irmão. Ele gosta de você de verdade. — Lucinda afirmou.
Julieta, é claro, já sabia disso.
Fingindo surpresa e confusão, ela gaguejou:
— Co... como assim? Nós sempre fomos apenas amigos.
Lucinda a observou encenar, entrando no mesmo jogo e atuando com a mesma dedicação. Desde que alcançasse seu objetivo, nada mais importava.
— Meu irmão realmente é apaixonado por você. É por isso que ele nunca procurou ninguém. A família tentou arranjar pretendentes para ele, mas ele se recusou a ir. Eu sei que a mulher que ele ama é você.
— Eu... — Julieta hesitou. — Mas a minha situação atual...
— Você é maravilhosa, Julieta. É linda, seus pais são professores universitários, seu avô é uma lenda no meio acadêmico, e você mesma é incrivelmente independente. Perder um projeto de pesquisa não é o fim do mundo. Você não foi convidada para ser a chefe de um novo projeto recentemente? — Lucinda segurou as mãos dela.
As palavras fizeram com que a postura de Julieta se tornasse, aos poucos, mais ereta.
— De nada, somos amigas. — Lucinda sorriu com um tom cheio de significado. — Quem sabe, um dia não seremos até da mesma família?
— Não brinque com essas coisas sobre mim e o Douglas. — Julieta respondeu.
Mas uma ideia audaciosa começou a ganhar força em sua mente. Com a ajuda de Lucinda, talvez ela realmente pudesse se tornar parte da Família Siqueira.
A doença tinha tratamento. E já que Félix Cabral também precisava se tratar, era impossível que ele não bancasse as despesas médicas dela.
Quanto à criança... Bem, seu plano original sempre foi usar a gravidez apenas para extorquir dinheiro de Abel.
No caminho de volta, Julieta tornou-se ainda mais convicta da sua decisão. Ela ligou para Félix:
— Eu não vou ficar com essa criança. Preciso dos remédios para induzir o aborto.
— Procure a pessoa com quem você conseguiu os remédios da última vez, ela tem tudo. Quer que eu te diga onde o Abel está? No Hospital Coração Sereno. Ele está desesperado atrás de tratamentos médicos. Se você hesitar mais um pouco, ele não vai ter mais dinheiro nenhum para te dar. — A resposta veio ríspida do outro lado da linha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...