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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 456

Inês pensou consigo mesma que, talvez, a aparição de Rodrigo a tivesse provocado.

Mas, pensando bem, Lucinda não parecia o tipo de pessoa tão emocional.

Era um pouco estranho.

— Durante o tempo em que a Lucinda esteve no orfanato, além de perguntar sobre a história do lugar e sobre pessoas famosas que passaram por lá, houve mais alguma coisa estranha nela? — Inês só havia encontrado Lucinda três vezes ao todo e não entendia por que sempre sentia algo de errado nela, uma dissonância difícil de explicar.

— O fato de ela se recusar terminantemente a comer pimenta conta? Ela não comia nem um pouquinho. Ou melhor, não comia nada da nossa comida local. Todos os dias pegava um táxi para comprar pão e água, dizendo que não estava acostumada. — A Dra. Barros refletiu por um momento antes de falar.

— Poderia dizer que ela era exigente, mas ao mesmo tempo ela conseguia dormir num quartinho apertado do orfanato, brincava com as crianças, até as ensinava a usar a câmera e servia comida no refeitório como se fosse a merendeira.

— Parecia alguém muito disposta a seguir os costumes locais, mas justamente com a comida ela não abria mão. Nós costumamos comer a nossa comida caseira de arroz e feijão, mas ela dizia que só comia massas.

A partir da descrição da Dra. Barros, a sensação de estranheza de Inês em relação a Lucinda se tornou ainda mais forte.

A Dra. Barros, vendo-a imersa em pensamentos, tentou sondar:

— Aconteceu alguma coisa entre vocês? Ela não veio à Cidade GIO por sua causa, veio? Lembro-me dela dizer que tinha um problema cardíaco congênito; então, vir para nossa região de altitude não seria adequado para ela, e ainda assim ela veio.

— A mãe do Rodrigo, a Sra. Paz, e o pai da Lucinda são amigos de infância. A Família Paz e a Família Siqueira são amigas há gerações. — explicou Inês.

— A Lucinda gosta do Rodrigo. — Ela pensou um pouco e acrescentou.

A Dra. Barros pareceu entender tudo de repente, mas logo sua expressão se tornou melancólica.

— Inês.

Raramente Inês ouvia a Dra. Barros chamá-la assim, só quando ela era bem pequena ou quando a Dra. Barros se referia a ela ao falar com as outras crianças: a Inês de vocês.

— Você está pensando demais. O Rodrigo só está fazendo isso porque eu sou a contratante dele, e também porque sou a melhor amiga da irmã dele, nada mais que isso.

Na porta do quarto do hospital.

Rodrigo, que havia voltado de repente no meio do caminho, ouviu cada palavra da conversa das duas com clareza.

Ele queria dizer.

Não é porque você é a contratante, muito menos porque é a melhor amiga da Alice.

Há mais alguma coisa.

Apenas tudo isso.

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