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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 445

Naquele instante, Inês não teve tempo para pensar em mais nada. Perguntou onde ficava a sala de cirurgia e saiu apressada, começando a correr logo nos primeiros passos.

Ela sabia que, mesmo correndo até a porta da sala de cirurgia, não conseguiria ver Mike.

Rodrigo procurou se informar melhor sobre o estado de Mike, mas a enfermeira da triagem não sabia os detalhes exatos.

Na sequência, ele foi até o guichê pagar as despesas médicas. Assim que terminou, foi imediatamente ao encontro de Inês.

Ele a viu parada sozinha, de frente para a porta da cirurgia. Diferente de outras pessoas que andariam de um lado para o outro em aflição, ela permanecia estática no mesmo lugar, como se estivesse congelada.

Ao se aproximar, Rodrigo viu as lágrimas banhando o rosto de Inês.

— Inês, a enfermeira disse que o ferimento de Mike foi na perna. Não havia sangramento externo na cabeça.

— Rodrigo — Inês murmurou em um fio de voz. — Se eu tivesse vindo ontem à noite... Se ao menos eu tivesse vindo ontem...

Rodrigo, percebendo a culpa no tom dela, corrigiu-a:

— Inês, não traga essa culpa para si. Mesmo que você tivesse vindo ontem à noite, ninguém conseguiria entrar na escola.

— O que aconteceu com o Mike é responsabilidade do Abel. Foi o Abel quem o enviou para cá em segredo, falhando completamente no dever de supervisioná-lo.

Inês ergueu o rosto e olhou para Rodrigo. Em seu íntimo, ela sabia que a culpa era toda de Abel, mas não conseguia evitar o remorso que a consumia.

Eu não havia disparado o golpe, mas a vítima havia tombado por minha causa.

As lágrimas caíam em cascatas incessantes.

Rodrigo levantou a mão e, com delicadeza, enxugou o rosto dela.

As bochechas de Inês estavam gélidas.

Provavelmente, suas mãos e pés também estivessem.

Rodrigo tirou o próprio sobretudo, cobrindo os ombros de Inês com ele, e disse com a voz grave:

— Não se preocupe. Vamos aguardar o resultado da cirurgia. Se os médicos daqui não derem jeito, podemos transferi-lo para a Cidade Alvorecer. Se na Cidade Alvorecer também não resolver, nós o levaremos para o exterior.

Fosse pelo calor exalado do sobretudo de Rodrigo ou pela reconfortante segurança de suas palavras, o choro silencioso de Inês finalmente ganhou som.

E ela finalmente revelou sua vulnerabilidade.

— Rodrigo, eu estou com tanto medo...

— Tenho medo de que o Mike não se recupere. Tenho medo de que isso vire uma questão de vida ou morte.

— O Mike não teria sido envolvido nisso para começar. Fui eu quem levou o Abel até o orfanato, fui eu quem passou o contato dele para o Mike.

Rodrigo franziu a testa profundamente.

— Você o levou ao orfanato porque o considerava parte da sua família. Você deu o contato ao Mike porque é uma pessoa de grande empatia. O fato de Abel ter se aproveitado disso para levar o menino apenas prova a sua falta de caráter. Levá-lo embora e não cumprir com a responsabilidade de protegê-lo apenas mostra a índole desprezível dele.

Rodrigo pousou as mãos nos ombros dela. Curvando-se levemente, ele a encarou nos olhos e disse com uma seriedade implacável:

— Isso não tem nada a ver com você. Não tem a ver com quem você levou ao orfanato, nem para quem você entregou aquele contato. Tem a ver unicamente com a baixeza do caráter de Abel.

— Você compreendeu? Inês.

Lágrimas cristalinas pendiam dos cílios de Inês e, com o leve sacudir que Rodrigo deu em seus ombros, elas deslizaram pelo rosto. Ela piscou os olhos molhados e, com a voz embargada, respondeu:

— Eu escutei.

Rodrigo tentou suavizar o tom de voz o máximo possível:

— O que eu perguntei foi se você compreendeu.

Escutar e compreender eram coisas totalmente diferentes.

Assim como no aprendizado, conhecer e assimilar são níveis de intensidade bem distintos.

Inês apertou os lábios e assentiu com a cabeça.

Rodrigo soltou os ombros dela e, mais uma vez, ergueu a mão para enxugar as suas lágrimas.

— Vocês são os irmãos do paciente?

Inês concordou com a cabeça:

— Eu sou a irmã mais velha.

O médico prosseguiu:

— Você sabia que o seu irmão tem vários outros ferimentos espalhados pelo corpo?

Inês balançou a cabeça, estarrecida:

— Que tipo de ferimentos?

— Pancadas, marcas de chutes, escoriações de quedas e até mordidas. Tem de tudo. Algumas são leves, outras graves. Há grandes áreas com hematomas profundos.

Rodrigo interveio:

— Ele morava no alojamento da escola.

O médico alertou:

— Como responsáveis, vocês precisam prestar mais atenção à situação da criança dentro da escola.

Rodrigo assentiu com um som grave.

Mike já havia sido encaminhado para o quarto de internação. Inês e Rodrigo correram até lá. Era um quarto apertado, que dividia o espaço com vários outros pacientes.

Como era inverno, as portas e janelas estavam trancadas. Além do clima abafado, havia uma forte mistura de odores desagradáveis no ar.

Rodrigo observou Inês sentar-se à beira da cama, com extremo cuidado, sem sequer ousar estender a mão para tocá-lo. Ela permaneceu ali em silêncio, apenas aguardando, enquanto lançava olhares frequentes para o monitor cardíaco ao lado.

Rodrigo saiu do quarto mais uma vez.

Quando retornou, Mike já havia sido transferido para um quarto particular, limpo e organizado. Podia não ser amplo, mas, pelo menos, abrigava apenas o garoto.

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