O lugar onde Esther morava não ficava longe dali. Inês pediu para Noel deixá-la em casa primeiro, e depois levá-la de volta à Mansão Serra Sul.
O evento social, que estava previsto para acabar apenas às nove da noite, terminou antes das oito e meia. Quando Noel a deixou na Mansão Serra Sul, passava um pouco das nove, então ele avisou: — O voo do Diretor Simões aterrissa às dez horas. Vou para o aeroporto buscá-lo.
Inês olhou para Noel por um momento, como se tivesse algo a dizer. Depois de um longo silêncio, disse apenas algumas palavras: — Vá com cuidado.
Noel sorriu e partiu com o carro.
Inês acompanhou o veículo se afastar com o olhar e depois ergueu a cabeça para observar o céu. A neve caía densa, dançando livremente no ar, e os flocos já formavam uma fina camada branca pelo chão.
Inês pediu aos seguranças que levassem Didi e Mumu para dentro. Naquele momento, Abel ainda estava nos eventos da alta sociedade, sem tempo para ir até lá, e os demais membros da Família Rocha muito menos teriam a desfaçatez de aparecer por ali.
Sra. Silveira viu Inês segurando o bolo e exclamou surpresa: — Sra. Jardim, hoje é o seu aniversário! Espere um pouco, vou preparar mais alguns pratos!
— Sra. Silveira, se não conseguirmos comer tudo, será um desperdício.
— Não se preocupe, não se preocupe, o jovem mestre está aqui.
— Então lembre-se de separar a porção dele. — Não podiam simplesmente dar restos para ele comer.
Sra. Silveira correu para a cozinha e, de repente, voltou segurando uma faca: — Sra. Jardim, posso chamar a senhorita para vir até aqui? Fica muito mais animado comemorar o aniversário com mais pessoas!
Inês assentiu: — Está bem, vou ligar para ela.
Sra. Silveira se apressou: — Não precisa, não precisa. Sra. Jardim, vá descansar um pouco, já estou ligando.
A ligação foi atendida rapidamente.
Do outro lado, ouviu-se a voz fraca e exausta de Alice Simões: — Sra. Silveira, por que está me ligando a esta hora da noite? O velho me fez liderar uma equipe em um experimento. Ele diz que é para me treinar, mas a verdade é que ele tem preguiça! Estou morta de cansaço.
— Senhorita, em quanto tempo você termina?
— Falta pouco, falta pouco. Mais uns dez minutos.
— Quando terminar, venha para a Mansão Serra Sul. Hoje é o aniversário da Sra. Jardim.
— O quê?! — A voz de Alice perfurou o telefone com energia repentina. — Estou indo, estou indo! Quem quiser que termine esse experimento, eu não fico mais aqui, já até passei na minha tese! O velho fedorento está me explorando.
Ao ouvir isso, Inês soltou um sorriso silencioso.
O dia de hoje já estava quase no fim, então, na verdade, restavam apenas dois dias.
Ao ouvir isso, Julieta ficou estupefata.
A Inês era doente?!
Mandar uma notificação extrajudicial indicava que havia espaço para negociação, mas ela não lhes daria tempo algum para negociar?
Se já pretendia levar as coisas aos tribunais, para que toda essa encenação?!
O carro parou lentamente.
O motorista no banco da frente virou-se: — Sra. Lima, chegamos. O Sr. Ximenes já está à sua espera no escritório.
Julieta voltou à realidade num solavanco.
Ela finalmente entendeu por que Inês havia armado tudo aquilo.
Olhando para os portões da Mansão Ximenes e lembrando-se de seu avô, o coração de Julieta foi tomado por um medo desconhecido pela primeira vez, perdendo completamente a segurança de ter alguém para lhe cobrir as costas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...