Ah, se o Diretor Simões estivesse aqui...
O Diretor Simões poderia facilmente desempenhar o papel de "ladrão de esposas", e absolutamente ninguém ousaria fazer fofoca.
No segundo seguinte.
Ela viu a Dra. Jardim ao seu lado dar um sorriso sutil e dizer:
— Tudo bem.
Inês estendeu a mão em direção a Abel:
— Mas primeiro, passe os cento e dezoito milhões em verba de pesquisa científica que você prometeu. O combinado não sai caro.
Aquilo não era, nem de longe, uma "verba de pesquisa" que Abel havia lhe prometido, mas sim a parcela dos bens matrimoniais que ele e Julieta deviam restituir.
Já que Abel tivera a audácia de encurralá-la moralmente na frente de todos, ela faria exatamente o mesmo com ele. Era usar o veneno da própria cobra contra ela.
Aos olhos alheios, parecia apenas uma pequena brincadeira de casal, especialmente porque Inês sorria, demonstrando estar no controle da situação.
Como Abel teria coragem de beijá-la?
Aquele beijo custava caro demais.
O peso que sufocava o peito de Esther finalmente desapareceu. Que maravilha, as princesas também sabiam se salvar sozinhas; não precisavam, obrigatoriamente, do resgate de um príncipe.
Isso a fez recordar da vez em que Inês fora drogada, e trancou a si mesma no banheiro, mergulhando o próprio corpo na água gelada em pleno frio de outono.
Esther imediatamente entrou no ritmo e disse, cheia de sorrisos:
— Pois é, Diretor Rocha. Esse foi o presente que o senhor prometeu à nossa Dra. Jardim!
Mantendo a postura de brincadeira, aos olhos dos espectadores não havia qualquer sinal de hostilidade. Parecia apenas uma interação harmoniosa e íntima entre os três.
Esther sabia que o Diretor Rocha não conseguiria pagar. Daniela já havia lhe contado: primeiro, Julieta já o deixara a seco; depois, vieram os quatro milhões do aluguel anual da Mansão Serra Sul e mais os dois milhões e oitocentos mil das cadeiras arredondadas de sândalo-roxo arrematadas no leilão. Provavelmente, o fluxo de caixa do Diretor Rocha havia virado poeira.
Cento e dezoito milhões?
Só nos sonhos dele.
Abel não esperava que Inês cuspisse aquele número na frente de todo mundo. Mesmo que os outros não soubessem o seu verdadeiro significado, ele sabia.
Ele chamou o nome dela com uma relutância visível.
— Abel. — A voz de Inês, ao pronunciar o nome dele, era pura frieza. — Como ousa exigir dos outros algo que nem você possui? Você casou comigo, mas teve um caso em segredo com a Julieta; foi você quem não foi fiel a mim até o fim. E agora, depois do divórcio, continua a me assediar, traindo a Julieta.
— Ouvir a expressão "até o fim" saindo da sua boca soa como uma bela ironia. — concluiu Inês.
O rosto de Abel empalideceu levemente.
— O seu objetivo em me arrastar para este evento era encenar que ainda somos marido e mulher. — prosseguiu Inês. — O Sr. Soren e os funcionários da Sno Semiconductores não desconfiaram de nada e permitiram que eu fosse descansar mais cedo. O propósito já foi alcançado. O resto é apenas você fazendo birra e enchendo a paciência.
Vendo que Inês estava realmente pronta para partir, ele, que mal havia conseguido uma rara oportunidade para que estivessem a sós, não queria deixar aquilo escapar por entre os dedos, e disparou:
— Você não quer entrar em contato com o Mike? Se você me acompanhar até o final do evento, prometo ligar para a escola dele e deixar vocês conversarem.
Inês virou-se para olhá-lo.
Sentindo que tinha conseguido fisgá-la, Abel suavizou a voz:
— Inês, você e o Mike não se veem há dois anos. Não tem vontade de falar com ele?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...