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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 418

Naquela ocasião, ele já havia se enchido de ciúmes.

Lembrar daquilo agora o deixava ainda mais enfurecido. Ele aceitou o convite na mesma hora e estendeu a mão para puxar Inês.

No exato momento em que Inês se esquivou, Esther se espremeu entre os dois e disse:

— A Dra. Jardim não sabe dançar, peço desculpas.

Essa desculpa, só Soren engoliu.

Ele demonstrou um leve lamento e, em seguida, olhou para Abel, que havia aceitado de imediato, e sugeriu, sorrindo:

— Diretor Rocha, você deveria ensinar a Dra. Jardim a dançar no tempo livre. Mesmo que não seja para ocasiões como esta, uma dança ocasional no dia a dia também é algo maravilhoso.

Abel levou a sugestão a sério e estendeu a mão para Inês mais uma vez:

— Eu te ensino agora.

— Você é sujo. — rebateu Inês.

Com medo de que Abel se fizesse de desentendido, ela enfatizou o motivo:

— Muito sujo.

Tendo dormido com Julieta, ele já era naturalmente sujo.

Julieta havia dormido com Félix Cabral e muito provavelmente contraíra alguma doença. Abel, por sua vez, tivera relações de alto risco com Julieta, tornando-se ainda mais repulsivo.

Como chefe da região do Leste Asiático, Soren era fluente em vários idiomas e compreendeu perfeitamente o “você é sujo”.

Ele congelou por um instante.

Seus olhos azuis saltavam de um para o outro.

Esther rapidamente tentou explicar a Soren:

— Sinto muito, Sr. Soren. Houve um pequeno atrito entre a Dra. Jardim e o Diretor Rocha. Mas não se preocupe, temos um ditado antigo que diz: “Entre tapas e beijos, é assim que se ama.”

Soren, ciente de que a língua e a cultura eram ricas e profundas, assentiu com a cabeça:

— Ah, entendo.

Esther sorriu com os lábios comprimidos:

— Exatamente, pequenas implicâncias de casal.

Ela havia conseguido contornar a situação.

No entanto, Abel sabia que Esther estava apenas enrolando o estrangeiro. Quando Inês o chamara de sujo, não havia nada de “amor” naquilo; era puro e simples insulto.

Soren olhou para Esther, a fim de convidá-la para dançar.

Esther recusou educadamente. Ela não podia sair de perto da Dra. Jardim; caso contrário, e se Abel tentasse se aproveitar com suas mãos bobas?

O sorriso de Daniela Tavares quase bateu nas orelhas. Ser mimada pela cliente era ótimo, mas ser mimada pela futura senhora presidente da empresa era ainda melhor.

Assim que se viraram, uma voz de surpresa ecoou perto de seus ouvidos:

— Nossa, está nevando!

Inês ergueu os olhos em direção às janelas de vidro. Em meio à escuridão da noite, flocos de neve ralos haviam começado a cair.

Os lábios de Abel curvaram-se em um sorriso. Ele havia encontrado uma maneira de fazer Inês ficar.

Tudo o que ele queria era que Inês passasse mais tempo ao seu lado.

Abel olhou para Soren:

— Sr. Soren, hoje é o aniversário de vinte e oito anos da minha esposa. Eu gostaria de tocar uma música para ela e também pedir a todos que cantassem uma canção de parabéns. Seria possível?

Soren bateu palmas duas vezes, atraindo a atenção de todos. Quando ele anunciou que hoje era o aniversário da Dra. Jardim, esposa do Diretor Rocha, as pessoas se aproximaram sorrindo.

Alguém já havia pedido aos garçons que trouxessem um piano. Olhares cheios de expectativa e inveja recaíram sobre Abel e Inês.

Com aquilo, ficava impossível para Inês ir embora.

Ela lançou um olhar pesado e sombrio para Abel.

Canalha desgraçado.

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