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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 416

Inês guardou o celular.

Às sete e dez chegaram ao destino; Abel esperava Inês na entrada do hotel.

A Sno Semiconductores era uma empresa estrangeira. Os eventos corporativos internacionais não eram como os banquetes tradicionais cheios de pratos quentes e rodadas de brindes sucessivos; tratavam-se mais de coquetéis voltados para um networking leve. A socialização era o prato principal, a comida um mero acompanhamento, e a bebida, um adorno.

Hoje acontecia um coquetel íntimo.

Ao ver Inês descer do carro, Abel notou que ela vestia roupas casuais: um casaco curto de pelúcia em tom off-white e uma calça jeans pantalona azul-escura de cintura alta.

Inês tinha proporções excelentes. Se vestisse aquilo no dia a dia, seria elogiada por seu bom gosto, mas tratava-se de um evento corporativo.

Abel franziu levemente a testa, mas acabou não dizendo nada.

O simples fato de Inês ter aceitado acompanhá-lo já era bom o bastante.

Noel foi estacionar o carro. Como Esther acompanhava Inês, Abel perguntou à ex-esposa, insatisfeito:

— Ela também vai?

— Eu sou a assistente da Dra. Jardim. — respondeu Esther.

Abel olhou para ela, com os olhos gritando que aquilo era mentira.

Como se o compreendesse, Esther retribuiu com um sorriso.

É verdade que ela não era a assistente da Dra. Jardim, mas será que ele teria a audácia de contar aos outros quem ela realmente era?

Que ela era a secretária do Diretor Simões?

E por que a Dra. Jardim traria a secretária do Diretor Simões a tiracolo?

O senhor ousaria dizer isso, Diretor Rocha?

Abel não ousaria. Ele não queria que Inês levasse Esther para cima, mas a ex-esposa já puxava a garota para dentro do elevador, apressando-o:

— Se você não for, nós vamos embora.

Abel entrou no elevador a passos largos.

Antes que chegassem ao andar do evento, Abel disse:

— Nós somos marido e mulher. Você deveria segurar o meu braço.

— Nunca tivemos esse costume antes e não o teremos agora. Aja com naturalidade, Abel. — respondeu Inês.

O elevador chegou.

— Obrigada pelo elogio.

— Por aqui, Dra. Jardim. — indicou Soren. — Diretor Rocha e senhorita assistente, por aqui também, por favor.

A atitude de Soren para com Inês foi muito gentil, sem segundas intenções, apenas com sincera admiração no olhar.

Ele teve a certeza íntima de que a cooperação com a Tecno Universal valia muito a pena. Mesmo que a Dra. Jardim não participasse diretamente do projeto, só de estabelecer contato com ela, os benefícios já seriam imensos.

Esther e Abel observavam Inês no centro da multidão. Mesmo que ela não fosse adepta de lisonjas, todos a cumprimentavam de forma extremamente afável.

Esther perguntou com um sorriso:

— Diretor Rocha, você não acha que a Dra. Jardim se tornou deslumbrante depois que deixou você?

Como uma princesa amaldiçoada pela bruxa que finalmente tirava sua velha e empoeirada capa.

Abel fechou a cara e ficou em silêncio.

Esther não desistiu:

— Pensando bem, Diretor Rocha, parece que você era a ruína da nossa Dra. Jardim.

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