Eu estava com o saco de Bruno nas mãos, e não sabia o que fazer com ele nem podia pegar nem podia largar.
O copo estava firme em minha mão, e, quando fui abrir a boca, até minha voz falhou.
— Bruno, não precisa encher até a borda... — Forcei-me a controlar a vergonha, apontando para o que estava escrito no rótulo da garrafinha. — Aqui está escrito que a quantidade de uma vez é o suficiente.
— Como você sabe que não vou encher a quantidade certa?
Fiquei tão surpresa que os pelos do meu corpo se arrepiaram. Levantei a manga e estiquei o braço para mostrar a ele o quanto estava atônita.
— Bruno, você tem noção do que está dizendo?!
— Não tem ninguém vendo, qual o problema?
De repente, Bruno abaixou a cabeça e, com uma suavidade quase irreconhecível, mordeu meu clavículo.
Não doeu, mas a pressão não era algo que eu pudesse ignorar. Era uma força que me fazia querer gritar, mas eu me segurava.
Mordi forte o lábio inferior e, sem pensar, envolvi a cabeça dele com minhas mãos.
— Bruno, não faz isso...
— Não faz o quê? E além do mais, você sabe bem a quantidade que eu tenho, esse copinho aí não vai ser páreo para você.
Os homens mudam muito rápido.
Ele estava, antes, como uma criança travessa que tinha conseguido o que queria, e agora, num piscar de olhos, se transformava numa fera faminta por algo que não podia ter.
Ele mordiscava meu clavículo, e suas mãos não ficavam quietas.
As palmas das mãos subiam, descontroladas, por debaixo da minha blusa, apertando minha cintura. Não sabia se era efeito psicológico ou se era outra coisa, mas parecia que as suas mãos estavam cobertas por algo macio. Eu sentia meu corpo formigar, como se estivesse desaparecendo pela metade, e um formigamento estranho me tomou, fazendo com que eu perdesse a sensibilidade momentaneamente...
— Bruno...
Eu já não conseguia me importar com o que ele estava dizendo. Agarrei seu braço e puxei suas mãos para fora.
Queria falar, mas meu fôlego já estava sendo roubado. Nesse momento, até pensar se tornara um luxo.
Eu olhava atordoada para o teto do hospital, minha mente xingava em silêncio.
— Isso é realmente uma experiência única...
Quando quase não conseguia respirar, Bruno finalmente percebeu, e seus lábios começaram a deslizar, vagarosamente, sobre meu rosto.
Na testa, nos olhos, na ponta do nariz, e logo estavam na minha orelha, no meu pescoço...
Antes que ele pudesse continuar com seu movimento, segurei rapidamente seu rosto com as mãos, olhando ele em silêncio, esperando que ele entendesse o "não" que eu refletia nos meus olhos.
Bruno me observou, respirando mais pesado, e, na sequência, um beijo profundo caiu sobre meus lábios.
— Ana, teremos outro filho. Um filho saudável.

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