“Dante Ferretti”
Os fotógrafos só desistem após várias perguntas recebendo a mesma resposta.
Mas sei que, mesmo sem responder nada, eles já conseguiram transformar meu anúncio em manchete antes mesmo de a noite terminar.
— Vamos? — sussurro perto do ouvido de Amy.
Amy começa a andar sem reclamar, o que me diz que continua mais em choque do que demonstra.
Quando finalmente conseguimos nos afastar o suficiente para respirar, um homem surge na nossa frente como se estivesse esperando ansiosamente por esse momento.
Ele estende a mão como se fôssemos velhos conhecidos, com um sorriso largo demais para parecer espontâneo.
— Alfred Donovan. CEO da Bankrupt Company e pai da Amy.
Olho para a mão estendida por um segundo antes de levantar os olhos para o rosto dele.
— Sei quem é o senhor.
Ele baixa a mão devagar, mas mantém o sorriso.
— Antes de qualquer coisa, quero dizer que fico muito feliz pela união de vocês. Confesso que a notícia me pegou de surpresa.
— Imagino.
Alfred solta um riso curto e ajeita discretamente a gravata.
— Bem… já que agora fazemos parte da mesma família, acredito que teremos muitas oportunidades para conversar.
Ele limpa a garganta, tentando parecer mais confiante do que realmente está.
— A Bankrupt Company continua sendo uma empresa com muito potencial. Tenho certeza de que poderíamos encontrar alguma parceria interessante para ambos.
Permaneço em silêncio por um instante. O suficiente para fazê-lo acreditar que ainda existe alguma chance.
— Sr. Donovan, costumo ser bastante criterioso com os negócios que escolho.
— Naturalmente. Eu também.
— Não faz parte da minha política negociar com pessoas… insignificantes.
Alfred trava a mandíbula. Os dedos se fecham devagar ao lado do corpo, até os nós embranquecerem.
Mesmo assim, ele força outro sorriso.
— Talvez esteja esquecendo um detalhe importante, Sr. Ferretti. Agora somos da mesma família.
Amy permanece calada, mas sinto seus dedos apertarem os meus.
Encaro Alfred por alguns segundos.
— Família é uma palavra que costumo reservar para pessoas que protegem umas às outras.
Ele abre a boca, mas continuo antes que consiga falar.
— E, pelo que sei, o senhor falhou bastante nesse quesito.
— Acho que o senhor está sendo injusto.
— Estou? — pergunto, calmo. — Há poucos minutos, o senhor constrangeu a minha mulher em público.
O sorriso dele desaparece lentamente.
— Foi só ela carregar o sobrenome Ferretti que o senhor resolveu se lembrar de que é pai dela.
— Sr. Ferretti…
— Aproveite a festa, Sr. Donovan.
Alfred abre a boca, fecha outra vez e decide que não existe argumento que funcione aqui.
Sábia decisão.
Coloco a mão na cintura de Amy e a puxo de leve para perto, encerrando o assunto sem precisar dizer mais nada.
Nos afastamos sem pressa.
Só após alguns metros, Amy finalmente solta o ar, como se tivesse prendido a respiração durante toda a conversa.
— Você não precisava fazer isso.

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