“Amy Ferretti”
Após várias e várias tentativas frustradas de trabalhar e não olhar para a sala à minha frente, a porta finalmente se abre e a mulher sai.
Desvio os olhos do computador, fingindo que não passei os últimos vinte minutos criando cenários ridículos na minha cabeça.
Funciona, mas por pouco tempo.
Porque assim que levanto os olhos, quase por impulso, meu olhar encontra o dela.
Ela sorri de canto.
Sem rivalidade, sem provocação. Sem nenhum traço de que me considere algo.
Pelo visto, ela nem sequer sabe quem sou.
Depois disso, ela simplesmente continua andando, e eu fico olhando para a porta fechada.
Por fim, viro o rosto para a tela antes que alguém perceba que fiquei parada feito idiota.
Os sussurros começam assim que a porta do elevador se fecha. Ignoro, mas logo uma conversa ao lado me chama a atenção.
— Valentina Marino… aquela de gestão de crises de Milão.
— Dizem que ela e o Sr. Ferretti se conhecem há anos.
— Então é claro que ela é a esposa dele.
Balanço a cabeça, tentando não ouvir mais sobre isso.
— Preciso trabalhar — murmuro, voltando a olhar para a tela do computador. — Preciso parar de pensar nisso.
Clico em qualquer coisa só para tentar ignorar o fato de que meu corpo inteiro ficou mais atento do que deveria.
Respiro fundo e continuo digitando.
Cinco segundos.
Dez.
O cursor pisca na tela como se estivesse rindo de mim.
Desisto.
Pego o celular devagar, como se isso não fosse grande coisa. Como se estivesse apenas checando algo qualquer.
Abro o navegador e digito o nome dela. Os resultados aparecem quase imediatamente.
Perfil profissional impecável. Formação em comunicação corporativa, MBA em Londres, clientes que incluem alguns dos maiores grupos empresariais da Europa.
Ela é boa no que faz, e isso fica claro nos primeiros trinta segundos de pesquisa.
Clico nas fotos… e lá está ela, em vários eventos empresariais importantes. Sempre com um sorriso confiante, postura impecável, vestidos elegantes.
Então, ao lado dela, em um dos eventos há dois anos…
Dante, de terno escuro, com a mão apoiada nas costas dela, enquanto ela ri, segurando o braço dele.
A legenda me provoca um frio na barriga: “Dante Ferretti e Valentina Marino chegam juntos ao Salone del Risparmio. Novo casal à vista?”
Fecho o celular, apoio os cotovelos na mesa e fico olhando para o nada por alguns segundos.
Ele trouxe ela para cá.
Ele jantou comigo, me beijou, me tocou naquela mesa, disse que nada havia mudado… tudo isso horas depois de voltar de Milão. Com ela.
— Mas que filho da…
Meu estômago revira de um jeito que não tem nada a ver com a gravidez.
Me levanto rápido demais e sigo para o banheiro, com passos calmos o suficiente para não chamar atenção.

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