Lucca:
Tivemos uma noite maravilhosa com a Valéria. A raiva dela foi apaziguada. Enrico chegou quase onze da noite de viagem. Decidimos seguir para o escritório do apartamento para conversar.
— Sei que você está cansado, mas temos decisões a tomar — eu disse.
— Podem falar — respondeu, ansioso.
— Queremos pedir Valéria em casamento, mas somente se todos concordarem! — Dante tomou a frente do assunto.
— Claro que concordo. Ela já é nossa mulher, tornar isso oficial diante de todos será mera formalidade. Temos certeza que a amamos — Enrico afirmou.
O que mudou em nossa vida nos últimos dias é algo que nunca imaginamos. Ter uma mulher para sempre ao nosso lado, casamento, uma família.
— Faremos a Cerimônia das Rosas na boate, uma cerimônia de união estável para a família e amigos, e um de nós se casará com ela no civil, nós a queremos como senhora Romano — eu disse animado, me jogando na poltrona do escritório.
— Faremos amanhã o pedido. — Dante, assim como nós, tinha pressa.
— Outro assunto que preciso falar com vocês é sobre os pais da Valéria. Como sabem, seus pais e seu irmão morreram em um acidente. Achei estranho o laudo do acidente ser tão vago, decidi cavar a fundo essa história. Ela merecia saber se houve negligência de outra pessoa. — Comecei a tocar em um assunto delicado.
— Você descobriu algo errado? — Dante se preocupou.
— Não foi acidente — afirmei.
— Como assim? — Enrico, que até então estava cansado, despertou na mesma hora.
— O carro foi sabotado! Os freios foram mexidos — disse, vendo-os alarmados.
— Foi assassinato! Meu Deus, que merda é essa? — Dante ficou estarrecido, dando um murro na mesa.
— E não é o pior — continuei.
— Tem coisa pior?
— Os advogados e sócios da empresa de investimento do pai da Valéria a roubaram. A empresa não estava falida. No dia do acidente, todo o capital da empresa foi transferido para o exterior. Com a notícia da morte, culparam o pai dela e todos os seus bens foram bloqueados e vendidos para quitação das dívidas.
— Ele sabia que alguém estava roubando-o. Quando começou a investigar, sofreu ameaças. Foi quando ele deu o apartamento e abriu um fundo para a faculdade dela. Se algo acontecesse com ele, a esposa e os filhos estariam seguros.
— Conseguiu descobrir quem foi que chefiou o golpe na empresa? — perguntou Dante.
— Com a ajuda do Kael, sim! Ele tem à sua disposição os melhores hackers e toda a movimentação no dia do acidente foi recuperada. O idiota achou que Valéria não seria capaz de investigar sem dinheiro e deixou migalhas.
— Quem foi? Diga de uma vez — Enrico falou.
— O óbvio, David Potter, o vice-presidente da Moonlife Investimentos.
— Puta que pariu!!! — Enrico ficou de boca aberta.
— O braço direito do cara! — Dante ficou perplexo.
— O que faremos agora?
— Faremos justiça, por tudo que Valéria passou, por seus pais e seu irmão!
— Finalmente limparemos o nome e a memória do Henrico Santorini. Já enviei tudo para um amigo do FBI que investiga crimes fiscais. Em breve teremos notícias. Se conseguirmos ligá-lo à sabotagem do carro, será perfeito.
— Esse será o melhor presente de casamento para nossa Valéria.
— Enrico tinha toda razão, ela nunca culpou o pai, nunca se sentiu forte o suficiente pra correr atrás da verdade, até pouco tempo estava perdida. Mas agora ela tem a nós e vamos protegê-la de tudo e todos.
Olhei no relógio. Já era quase 1 da manhã, Enrico estava cansado da viagem e nós também, o dia foi cheio.
— Vamos dormir. Amanhã cedo, eu e Dante vamos comprar as alianças enquanto você mata a saudade, irmãozinho.
Todos rimos, imagino o desespero do Enrico. Nós, que estávamos perto, tem dia que o bicho pega, imagine ele há uma semana fora.
Subimos para descansar. Enrico tomou um banho no outro quarto e se juntou a nós na cama. Seus olhos brilhavam ao olhar nossa mulher adormecida. Ele deu um beijo em sua testa e se aninhou a ela.

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