Alba
Confusão é meu segundo nome nesse momento. Não consigo acreditar no que está acontecendo. Será que o corte foi muito fundo? Bom, acho que a parte íntima dele não tem nada a ver com a cabeça, sei lá. To muito confusa e assustada com tudo isso. Parece que meu marido não me conhece. Bem que eu notei uma expressão diferente, será que ele sofre de algum tipo de amnésia ?
Eu estava perdida pela casa e com uma mala gigante na mão arrastando pra baixo e pra cima, toda desengonçada. Todas as portas estavam trancadas e a casa é gelada pra caramba. Já é noite aqui e eu estou com sono. Acho que estou a mais de uma hora vagando com essa coisa pesada arrastando no chão.
_ Meu Deus.. parece um labirinto.
Murmurei quando vi que voltei novamente pro mesmo lugar. Vi as escadas e decidi descer pra ver onde vai dar. No fim das contas voltei pra sala, os funcionários já se retiraram e a minha barriga está roncando de fome, sem falar na dor nos pés.
Caminhei até uma porta e descobri que é uma cozinha. Bem xereta, abri a geladeira e não encontrei nada que eu pudesse comer pronto então acabei pegando uma fruta e sentando em uma cadeira.
_ Ai Deus.. o que eu faço?
Murmurei com os olhos fechados, respirando fundo e mantendo a calma.
Depois de alguns minutos resolvi tentar novamente, mas dessa vez eu iria direto na fonte.
Bati na porta e logo ouvi um ‘’entre’’ bem mau humorado.
_ Oi .. ahm, todas as portas estão trancadas..
_ E daí? Pede pra alguém abrir pra você!
Disse ele irritado. Ele estava sentado na cama com um notebook no colo e com um óculos de grau que deixou seu rosto bem mais leve. Poderia arriscar em dizer que Dmitri é um belo homem.
_ Não há nenhum funcionário na casa, só nós estamos aqui.
Eu permanecia parada na porta, estava com frio e louca pra tomar um banho logo.
_ Que *porra! Isso foi coisa daquele filho da *puta!
Depois de esbravejar ele ficou quieto e eu parada como uma estátua na porta olhando pro chão.
_ Entra logo e fecha a porta. Não dê um pio, entendeu ?
Balancei a cabeça afirmativamente. Coloquei minha mala ao lado da porta e peguei uma muda de roupa, toalha e meus objetos de higiene pessoal. Corri pro banho. Me tranquei lá dentro e aproveitei e relaxei um pouco.
_ Ai Deus.. que cara doido.
Lavei bem meu cabelo e depois sequei com a talha mesmo, agora ele está curto e fino, vai secar ligeiro.
Coloquei meu pijama de ursinhos e minha meia colorida. Calcei minha pantufa e saí do banheiro já sentindo o gelo do quarto. Peguei minhas roupas sujas e guardei em outro compartimento da casa, amanhã preciso conhecer melhor como funciona esse lugar.
Ele estava em um lado da cama e eu sentei no lado contrário.
_ Você dorme no sofá!
Disse ele sem ao menos me olhar, permanecia digitando algo no notebook, estava concentrado.
Olhei para o sofá enorme que havia ali. Ao menos não preciso deitar ao lado desse estranho e esquisito.
Peguei meu celular e uma manta que adoro. Ela é fina mas esquenta bem. Deitei no sofá confortável e comecei a digitar uma mensagem pra minha mãe dizendo que estava bem e que iria dormir naquele momento. Mandei e logo bloqueei o celular.
_ Ele deixou você até mesmo trazer um celular pra dentro da organização.. é um frouxo!

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