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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 86

Ele saiu do banheiro alguns minutos depois. A camiseta emprestada por Hugo estava um pouco larga nos ombros, mas não podia aparecer com a roupa suja de sangue. Pegou as chaves do carro sobre a cômoda e lançou um último olhar para o quarto.

Tudo ali parecia carregado de pequenas partes de Sophia que ele nunca tinha conhecido de verdade.

Heitor pasou pela sala sem fazer barulho. Encontrou Hugo adormecido no sofá, torto de um jeito que certamente faria suas costas reclamarem pela manhã. A coberta que havia usado durante a noite estava caída pela metade no chão.

Ele parou por alguns segundos observando a cena.

Hugo poderia ter ignorado a briga na boate. Poderia ter escolhido fingir que não se importava. Em vez disso, abriu a própria casa, cuidou o ferimento da sua mão, revelou o segredo que vem anos guardando e ainda passou a noite preocupado o suficiente para não conseguir dormir direito.

Sem fazer ruído, Heitor se aproximou, pegou a coberta caída e a ajeitou sobre ele.

Hugo resmungou alguma coisa incompreensível durante o sono, mas não acordou.

Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca de Heitor.

Antes de sair, lançou um último olhar e murmurou, tão baixo que quase nem ele mesmo ouviu.

— Obrigado.

Em passos silenciosos saiu do apartamento, fechou a porta atrás de si e seguiu para o estacionamento.

O caminho até a mansão foi rápido. Heitor dirigiu observando a cidade despertar.

Quando os portões da mansão surgiram à distância, uma sensação estranha apertou seu peito.

Danilo já havia retirado a ordem para que ele fosse barrado, mas os seguranças ainda o observavam com cautela. Ao abrir o portão eles seguiram cada movimento com os olhos.

Heitor permaneceu alguns segundos parado atrás do volante. O silêncio dentro do carro parecia estranho depois da noite que havia tido.

Assim que entrou, encontrou Sophia sentada na sala. As luzes permaneciam acesas. Ela ainda estava com as mesmas roupas da hora do jantar. Ao vê-lo levantou tão rápido que derrubou a xícara de chá que segurava. Seus olhos percorreram o rosto dele, os cortes, as mãos machucadas.

Então correu até ele. Os braços dela envolveram sua cintura antes mesmo que conseguisse dizer qualquer coisa.

— Meu Deus... — sussurrou. — O que aconteceu com você?

Sophia o abraçou com tanta força que por um instante ele esqueceu toda a loucura das últimas horas. Os ombros de Heitor diminuíram a tensão. Ele fechou os olhos e apoiou o rosto nos cabelos dela.

— Eu estou bem.

Sophia não acreditou. Os dedos dela tocaram o rosto dele com cuidado, percorrendo o corte acima da sobrancelha. Durante horas desde a ligação de Hugo, ela havia imaginado os piores cenários possíveis. Agora ele estava ali, na sua frente, mas aquilo não diminuía o aperto em seu peito.

— O que te fez agir assim?

— Depois falamos sobre isso...

— Eu liguei para você a noite inteira. Se não fosse o Hugo ter me avisado, eu e seu avô teríamos colocado a polícia atrás de você.

Ele apertou seu abraço e suspirou.

— Desculpa preocupar vocês.

A resposta calma não ajudou em nada.

Sophia respirou fundo, tentando controlar a própria ansiedade. Queria respostas do que aconteceu, mas, acima de qualquer pergunta, sentiu o alívio de vê-lo voltar.

Danilo observava a cena a distância. Com uma tosse falsa interrompeu o momento.

— Pelo menos me diz que o outro ficou pior?

Heitor revirou os olhos e sorriu fracamente de lado.

— Ficou.

— Então está tudo certo.

Sophia fechou os olhos.

— Vocês conseguem brincar numa hora dessas?

— Eu disse que ele dava conta.— resmungou Danilo.

Sophia voltou a encarar Heitor.

— Você tem certeza que está bem?

— Tenho.

Era mentira. Mas era a única resposta que ela precisava ouvir naquele momento. Heitor tocou o rosto dela e depositou um beijo breve em seus lábios.

— Aurora acordou?

A expressão de Sophia suavizou aos poucos.

— Sim. Acabou de acordar. Seu avô está com ela.

— Vou vê-la.

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