Hugo praticamente arrastou Heitor para fora do clube antes que alguém resolvesse chamar a polícia.
Heitor parou por alguns segundos, apoiando uma das mãos na parede enquanto tentava recuperar o controle da própria respiração. Os nós dos dedos estavam em carne viva. O supercílio cortado ainda sangrava.
Hugo observou o estado dele e soltou um suspiro.
— Você perdeu a cabeça.
— Eu devia ter batido mais.
— E ido preso logo em seguida?
— Pelo menos seria preso por algo que eu fiz.
Hugo não respondeu, sentiu o peso daquelas palavras. Com um suspiro longo olhou para Heitor.
— Então realmente existem dois.
Heitor fechou os olhos por um instante.
— Infelizmente.
— Porra... Tudo faz sentido. Agora entendi por que Sophia nunca conseguiu te odiar como deveria.
Heitor baixou a cabeça sem forças para responder.
Os dois seguiram até o carro, Hugo assumiu o volante sem sequer perguntar.
Heitor entrou no banco do passageiro e apoiou a cabeça contra o encosto. O corpo inteiro doía.
Mas nenhuma dor física chegava perto da sensação de preocupação e medo que estava esmagando seu peito.
Durante vários minutos permaneceram em silêncio. Somente quando estacionaram em uma rua tranquila, longe do clube, Hugo desligou o motor. Abriu o porta-luvas, encontrou uma garrafa de água e alguns lenços.
— Me dá sua mão.
— Deixa que eu faço sozinho. Não sou nenhuma criança.
— E eu não sou enfermeiro. Agora não abusa da minha bondade e para de reclamar.
Heitor estendeu a mão machucada.
Hugo começou a limpar o sangue enquanto observava os cortes. Assim que a água tocou os cortes, ele fechou os olhos.
— Você socou ele como se quisesse matar.
— Eu queria.
— Isso ficou bem evidente.
Heitor soltou uma risada sem humor, apoiou a cabeça no banco novamente.
— Ele passou dos limites.
— O que ele fez?
Por alguns segundos Heitor não respondeu. Quando falou, sua voz saiu baixa.
— Ele foi atrás das pessoas erradas.
— Imaginei. Ele deve ter feito algo muito grave para te fazer perder o controle. Mas você também não pode resolver tudo quebrando a cara dele.
— E qual seria sua sugestão?— perguntou Heitor sem muita expectativa.
— Agir de cabeça fria para descobrir o que realmente está acontecendo. Pelo pouco que ouvi a mãe de Sophia tem envolvimento com sua mãe. Precisamos descobrir o por que esse interesse da família Pritzker numa mulher como Jana.
Heitor levantou a cabeça devagar.
— Vocês investigaram?
— Claro. Começamos procurando os últimos passos de Jana e descobrimos que a mulher acusada de atropelar ela é sua tia. Muitas informações não levaram a lugar nenhum, então quer dizer que eram falsas. E o único sobrenome que tem força para manipular tudo isso é sua família.
Heitor sentou demonstrando desconforto. Hugo percebeu e estreitou os olhos.
— Sophia sabe que a mãe dela está viva?


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