Marcelo afastou-se apenas o suficiente para encará-la. Os olhos dele estavam serenos.
— Eu sei exatamente quem você é, Milena. Sei o que passou pra chegar aqui. Não existe boato, ou comentário de gente vazia que mude isso. Se alguém estiver te machucando na faculdade ou no hospital, me fala. Eu resolvo.
Ela balançou a cabeça em negação.
— Fica tranquilo, não tem nada de errado. Sei que se tivesse... você saberia.
— Realmente. Nada naquele lugar passa aos meus olhos sem ser percebido! — ele cortou, voz firme. — Você não vai me contar, mas eu vou descobrir.
A tarde começou como qualquer outra. Milena acompanhava Álvaro em mais uma consulta de rotina, tentando ignorar aquela fraqueza que insistia em voltar. Ela respirava fundo e forçava um sorriso toda vez que o pai perguntava se estava tudo bem.
— Só cansaço, pai. — respondia, mesmo sentindo o estômago embrulhar e a cabeça pesar como se algo latejasse por dentro.
O pai, distraído com as anotações do médico, não percebeu a palidez repentina que tomava o rosto dela. Milena se apoiou na parede, piscou algumas vezes, tentando firmar o mundo ao redor, mas a névoa diante dos olhos só aumentou, ameaçando engolir tudo.
Bastou um passo para o corredor girar. O ar fugiu dos pulmões, e a última coisa que ela ouviu antes de tudo escurecer foi o som distante do pai chamando seu nome, uma mistura de medo e desespero que ela nunca tinha ouvido antes.
— Milena! — a voz dele ecoou, aflita, tão distante quanto um sonho ruim.
Quando abriu os olhos, o mundo estava branco. O teto da sala de observação, as paredes, os lençóis. O cheiro de éter, limpeza e o leve zumbido de máquinas. Por um instante, ela achou que ainda estivesse sonhando, como se sua mente estivesse presa entre o que era real e delírio.
— Senhorita Milena Carlson? — a voz suave da enfermeira a trouxe de volta. — Fique calma, está tudo bem.
Milena piscou, sentindo o coração acelerar sem controle.
— O que… o que aconteceu?
— Você desmaiou, querida. O médico já vai falar com você, está bem?
Ela tentou inspirar devagar, mas o ar parecia raso demais.
A porta abriu poucos minutos depois. O médico entrou com um semblante tranquilo, enquanto Álvaro estava ao lado dele, nervoso, de mãos trêmulas.
— Foi só uma queda de pressão? — Álvaro perguntou, a voz carregada de medo, quase suplicando por uma boa notícia.
O médico consultou o prontuário, respirou fundo e sorriu antes de responder.
— Na verdade… não exatamente.
Milena sentou-se devagar, sentindo o coração bater mais rápido, como se quisesse escapar pela garganta. As mãos dela suavam, e o corpo inteiro parecia se preparar para ouvir algo que pudesse virar sua vida de cabeça para baixo.
— O que o senhor quer dizer? Eu estou doente? Eu vou morrer? — a pergunta saiu automática, empurrada pelo pânico que começava a apertar o peito dela.
O médico puxou uma cadeira e se aproximou, com um cuidado que fez o estômago dela afundar ainda mais.
— Não, Milena. Nada disso. Nós fizemos alguns exames rápidos por conta do desmaio súbito e… há uma explicação simples. — Ele inclinou o rosto, gentil. — Parabéns. Você está grávida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário