Marcelo ainda estava no chão quando terminou de falar. O coração batia forte pela certeza que a mulher que destruiu sua vida estava envolvida naquilo.
Milena demorou alguns segundos para reagir. O susto ainda a prendia. Quando percebeu que estava em cima dele, tentou se levantar de imediato.
— Calma. — ele pediu, segurando o braço dela. — Devagar.
Marcelo se apoiou primeiro, levantando com cuidado, e então estendeu a mão para ela. Assim que ela apoiou o pé no chão, sentiu uma dor aguda subir pelo tornozelo. O rosto se contraiu por um instante, mas ela respirou fundo e disfarçou.
— Está doendo?— ela perguntou.
— Não muito. Está tudo bem. — disse com sinceridade.
Marcelo a encarou apoiou a mão na cintura dela.
— Tem certeza?
— Tenho. — respondeu, forçando firmeza.
Ele manteve a mão dela um pouco mais tempo do que o necessário, atento, observando cada reação. Milena ergueu o rosto para ele, ainda confusa.
— O que você quis dizer com aquilo? — perguntou. — Aviso do quê?
Ele desviou o olhar e Milena ficou frustrada. Ela ia insistir, mas algo desviou sua atenção. Um fio de sangue escorria lentamente pelo braço dele, manchando a manga da camisa. O choque foi imediato.
— Marcelo… — murmurou, os olhos arregalando. — Você está machucado.
Sem pensar, segurou a mão dele. O toque foi instintivo, carregado de preocupação. Marcelo sentiu o leve tremor nos dedos dela e apertou de volta, firme, transmitindo uma segurança silenciosa.
— Não é nada. — disse. — Foi só um arranhão.
— Não é nada? — ela rebateu, a voz baixa. — Você está sangrando.
Ele sustentou o olhar dela por um instante e, então, cedeu.
— Depois a gente vê isso. — respondeu. — Vamos sair daqui.
Devil observava tudo com atenção. Não tinha dúvidas agora. Aquele motorista estava envolvido com gente pesada. Marcelo não precisou dizer nada, mas Devil já sabia o que precisava fazer. Descobrir quem era aquele sujeito o mais rápido possível.
Marcelo passou o braço por trás das costas de Milena quando percebeu que ela mancava, mesmo tentando esconder. Antes que ela protestasse, ele se abaixou e a pegou no colo.
— Marcelo, não precisa… — ela tentou argumentar.
— Eu digo se precisa ou não. — respondeu, sem dar espaço para discussão.
Assim que entraram na universidade. Os corredores ficaram em silêncio por alguns segundos, ainda seguidos de cochichos inevitáveis. Olhares curiosos, surpresos. Marcelo ignorou todos.
Naquela universidade não existia nenhuma regra que proibisse relacionamentos entre professor e aluna desde que fosse consensual. Na verdade, ninguém achava errado eles estarem juntos. O incômodo vinha por Milena sempre ter sido considerada invisível. Discreta demais, silenciosa demais. E agora era ela quem estava ali, nos braços de Marcelo. Isso causava alvoroço.
Ele caminhou direto até sua sala, sem hesitar, seus passos ages, como se ela não pesasse nada. Fechou a porta com o pé e a levou até o sofá, sentando-a com cuidado.
— Fica aqui. — pediu.
Marcelo se afastou para pegar o kit de primeiros socorros, mas sentiu a mão dela segurar a sua.

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