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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 42

O escritório da grande empresa da família estava mais silencioso do que o habitual naquela tarde.

Não era apenas a ausência de reuniões ou o fim do expediente que criava aquele vazio estranho, mas algo mais pesado, quase opressor.

Marcelo permanecia sentado atrás da mesa de vidro, inclinado para a frente, os cotovelos apoiados, os dedos pressionando a própria têmpora como se pudesse conter, com força física, o turbilhão dentro da cabeça.

Desde a manhã, não conseguia se concentrar em nada. Os números nos relatórios se embaralhavam. Os e-mails se acumulavam sem resposta. O contrato dobrado na gaveta parecia queimar, mesmo sem ser tocado.

A porta se abre sem muita cerimônia.

— Você está vivo aí dentro, De Valliére? — a voz debochada veio antes da figura aparecer por completo.

Thomas entrou com o sorriso torto de sempre, aquele de quem nunca teve medo de atravessar limites. Irmão de Alan, amigo antigo, um dos poucos homens naquele prédio que não o tratava como um CEO intocável.

Marcelo ergue os olhos, cansado.

— Entra logo.

Thomas fechou a porta com o pé e cruzou os braços, observando-o com atenção.

— A gente tinha almoço marcado. Faz quinze minutos que eu tô te esperando no saguão. Devia ter imaginado que você ia esquecer.

Marcelo suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Minha cabeça tá cheia.

— Percebi. — Thomas lançou um olhar rápido ao redor da sala, impecável demais para refletir o caos do dono. — Mas cheia com o quê, exatamente? Acionistas? Projetos do trimestre? Ou… — fez uma pausa calculada, erguendo a sobrancelha — a universitária gata que virou sua vida de cabeça para baixo?

O olhar de Marcelo subiu lentamente até encontrar o dele. Um aviso silencioso.

Thomas não se intimidou.

— E antes que você tente mudar de assunto… — aproximou-se da mesa — eu também queria perguntar outra coisa. Você recebeu alguma notícia da Kethelyn? Fiquei sabendo que…

O nome caiu pesado no ar, como se tivesse peso próprio.

Marcelo respirou fundo, interrompendo-o.

— Não vou falar sobre isso.

— Você não fala sobre isso há semanas. — Thomas rebate, sem perder o tom calmo. — Desde que conseguiu fazer Milena se aproximar... você praticamente cortou qualquer visita. Isso não é normal, Marcelo.

— Chega, Thomas!

O tom saiu mais duro do que ele pretendia.

Thomaz deu um meio sorriso.

— Ela era sua noiva. Era inevitável que eu perguntasse.

Marcelo fechou os olhos por um instante. Por dentro, segurava um muro inteiro para não desabar. Quando abriu novamente, a voz saiu firme, ensaiada.

— Deixa isso no passado!

Thomas levantou a sobrancelha e cruzou os braços.

— Como assim deixar passado, De Valliére?

— Eu estou tentando superar o que aconteceu, Thomas.

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