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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 38

No dia seguinte, o clima na empresa estava diferente, pesado suficiente para ser percebido antes mesmo de qualquer palavra ser dita. Heitor sentiu isso assim que cruzou a recepção. Não foi o silêncio, nem os olhares desviados, foi uma sensação mais sutil, mais incômoda.

— O que está acontecendo nesta empresa hoje? — perguntou à secretária.

Luanda desviou o olhar para a porta do escritório dele.

— O senhor... tem visitas.

Heitor levantou a sobrancelha.

— Quem?

— O seu irmão, senhor.

Heitor estendeu a mão na mesa dela e baixou a cabeça apertando os lábios.

— Ótimo. É tudo que eu precisava.

Ao abrir a porta encontrou Arthur encostado na mesa, mexendo no celular com a mesma postura despreocupada de sempre, como se aquele espaço ainda fosse dele por direito. O olhar levantou no exato momento em que a porta se abriu, e o sorriso veio fácil demais.

— Olha só… O dono da porra toda chegou cedo.

Heitor fechou a porta atrás de si sem pressa. Não respondeu, caminhou até a mesa, deixou os documentos sobre a superfície com precisão calculada e só então ergueu o olhar.

— O que você quer?— Havia frieza na voz dele.

Arthur soltou um riso baixo, empurrando o próprio corpo para longe da mesa.

— Relaxa. Só vim ver como você está.— A pausa que ele fez não foi inocente.— Ou melhor… como anda essa história da barriga de aluguel.

O ar mudou de forma quase imperceptível.

Heitor não elevou o tom, mas o olhar endureceu.

— Cuidado com o que você fala.

Arthur deu de ombros, como se aquilo não tivesse peso algum.

— Qual é… até parece que o mais cobiçado empresario e bilionário Heitor Pritzker não dá conta do recado sozinho.

O silêncio que se formou não foi vazio. Foi pesado.

Heitor apoiou as mãos na mesa, inclinando o corpo levemente à frente, encarando o irmão com um desprezo que já não fazia questão de esconder.

— Diferente de você, eu não preciso usar o meu nome para encostar em mulher nenhuma.

A mudança foi imediata. Arthur perdeu o sorriso por um segundo. Foi rápido, mas suficiente.

— Foi uma vez.

— Uma vez? Você acha pouco ainda?

Arthur passou a mão pelo cabelo, desviando o olhar por um instante, como se procurasse qualquer coisa que aliviasse o peso daquilo.

— E por causa disso eu perdi tudo. O vovô me deserdou. Minha mãe tem vergonha de mim. Você acha mesmo que isso não foi punição suficiente?

Heitor não hesitou.

— Não.

A resposta veio seca, direta, sem espaço para negociação.

Arthur engoliu em seco, o desconforto finalmente rompendo a superfície.

— Você sabe que eu não isso fiz consciente.

Heitor soltou um riso curto, sem humor algum.

— Isso muda o quê exatamente?

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