Milena já não conseguia disfarçar que ouvir aquilo a machucava. Cada palavra de Katherine era uma lâmina fria atravessando sua pele repetidas vezes.
As lágrimas queimavam atrás dos olhos, mas ela se recusava a deixá-las cair. O que doía mais não era o veneno de Katherine, e sim o reconhecimento silencioso de que, em algum ponto, ela estava certa.
Todas as coisas que Marcelo disse no decorrer dos dias voltaram à sua mente, e por mais que quisesse apagar, a lembrança do acordo martelava como um eco amargo: ela era só alguém que assinou um contrato para gerar um filho que não seria seu. Uma mulher contratada para preencher um espaço vazio na vida de um homem que ainda pertencia a outra.
O burburinho ao redor parecia distante, mas os olhares eram cortantes.
Marcelo observava, tenso, o maxilar travado. O tremor quase imperceptível dos ombros dela o atingiu como um soco. O brilho que sempre admirou em Milena agora era dor, uma dor contida, mas devastadora.
Atravessou o curto espaço entre eles e pousou a mão em sua cintura. O toque foi firme, protetor, uma mensagem muda de que ela não está sozinha.
— Basta, Katherine. — A voz dele cortou o ar, grave, carregada de autoridade. — Você gosta de falar muito sobre o que eu sinto, mas não faz ideia do quanto está sendo patética.
Katherine sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.
— Patética? — repetiu, dando um passo à frente. — Não, Marcelo. Eu apenas continuo sendo a única que ainda diz a verdade.
Ela virou o rosto para Milena, analisando-a de cima a baixo.
— Sabe, Milena… não é surpresa que você saiba se encaixar tão bem no papel de amante. — A voz saiu mansa, quase doce, mas havia veneno em cada sílaba. — Deve estar no sangue. Sua mãe era ótima nisso. Sempre se envolvendo onde não devia… sempre com os homens errados.
O impacto foi imediato. Milena parou de respirar. O mundo se contraiu em volta dela.
Marcelo deu um passo à frente, o olhar duro.
— Cala a boca! Mais uma palavra, eu te arrasto daqui para fora!
Milena estava pálida. As palavras ecoavam dentro dela, misturando-se às memórias turvas de uma infância marcada por ausências e silêncios. Antes que pudesse reagir, Marcelo segurou seu rosto entre as mãos, forçando-a a olhar para ele.
— Olha pra mim, ignora as provocações dela.
— O que ela quis dizer com isso? — murmurou, a voz dela soando mais trêmula do que pretendia.— ela... ela conhece minha mãe?
Marcelo fechou os olhos com força e, ao abri-los, lançou um olhar cortante para os seguranças, sua voz saiu alta e clara como uma ordem.
— O que estão esperando? Tirem agora essa mulher daqui!
Katherine soltou uma risada baixa, carregada de ironia.
— Oh, não precisa ficar bravo, querido cunhado. Só estava comentando como a história gosta de se repetir. — Ela inclinou levemente a cabeça, os olhos fixos em Milena. — Talvez você não seja o único a repetir erros do passado.
Marcelo cerrou os dentes, os olhos faiscando de raiva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário