Os dias seguintes trouxeram um silêncio que há muito tempo não existia na mansão. Sophia acordava sem a sensação de que alguma tragédia estava prestes a acontecer. Ainda estranhava aquela paz. Caminhava pelos corredores como se esperasse que a qualquer instante, alguém surgisse para dizer que tudo não passou de um sonho.
Naquela tarde o carro de Heitor diminuiu a velocidade ao entrar na longa estrada que levava até a mansão. Sophia observava Aurora adormecida na cadeirinha quando percebeu um homem parado diante dos portões. Ele era alto, elegante, com cabelos grisalhos nas têmporas e um olhar que transmitia uma mistura de preocupação e nervosismo. Vestia um terno impecável, mas sua postura revelava tensão. Sophia sentiu um frio estranho subir pela espinha, uma sensação de familiaridade que não conseguia explicar.
Heitor percebeu a mudança no rosto dela. Sem hesitar, abriu a porta do carro e saiu, posicionando-se protetoramente entre o homem e cobrindo a visão dele em Sophia.
— Posso ajudá-lo?— perguntou Heitor, a voz firme e educada.
O homem virou para encarar Heitor, mas seus olhos escuros pararam em Sophia quando ela saiu do carro logo depois ficando poucos metros deles.
Ali estava Alexander Voss, pai dela, ele também não conseguia desviar os olhos, a semelhança com Jana quando era mais jovem era evidente, sabia que estava tão perto da filha e ao mesmo tempo sentia uma distância tão grande entre eles.
Nervoso, ele sorriu um pouco trêmulo.
— O senhor é Alexander Voss, estou certo?
Alexander respirou fundo antes de responder.
— Sim.
Heitor assentiu discretamente.
— Como nos encontrou aqui?
— Nos últimos dias os jornais só falam da família Pritzker. Em uma das reportagens... vi uma fotografia da Jana ao lado de uma jovem muito parecida com ela.— Os olhos voltaram para Sophia.— Eu reconheceria Jana em qualquer lugar. Passei anos procurando por ela. Gostaria de saber... se posso conversar com ela.
Heitor permaneceu alguns segundos tenso, mas manteve a compostura. Ele olhou para Sophia, que observava o homem com o coração acelerado.
— Vou pedir para avisarem minha sogra. — disse Heitor, fazendo um sinal para o segurança. — Mas ela decide se quer receber ou não.
O segurança assentiu e entrou na casa.
Alexander permaneceu onde estava, não deu um passo sequer em direção à mansão nem de Sophia. Ele esperou tanto aquele momento, que agora não sabia o que fazer, única coisa que tinha certeza era que antes de tudo precisava resolver as coisas com Jana.
Poucos minutos depois Alexander foi levado para a sala de visitas, onde ficou de pé, as mãos unidas atrás das costas. Quando Jana entrou o ar pareceu ficar pesado entre eles. Ela parou ao vê-lo, seus olhos se encheram de lágrimas quase imediatamente. Alexander também pareceu perder o fôlego.
— Jana... — murmurou ele, a voz rouca. — Quanto tempo...
— Sim... faz muito tempo...
Alexander sorriu sem conseguir esconder o nervosismo. Ela indicou a poltrona à frente, sentou-se devagar e ele sentou-se à frente dela, o olhar fixo na mulher que um dia tanto magoou.

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