Aurora respirou fundo e, por fim, atendeu.
A voz ansiosa e nervosa de Susana soou imediatamente no receptor.
"Aurora? O que aconteceu? Por que me mandou uma figurinha tão assustadora? Quase morri de susto!"
"Susana."
Aurora falou, mas sua voz estava excepcionalmente fria. "Nossa amizade chegou ao fim."
"... Hã?" Susana ficou confusa.
"De agora em diante, vá se divertir com o Sr. Luan, não me procure mais."
Susana ficou apavorada; pelo tom de voz, aquilo não parecia nem um pouco uma brincadeira.
"O que você quer dizer? Aurora, o que aconteceu? Não me assuste!"
Aurora curvou os lábios em um sorriso de escárnio.
"Vá perguntar ao seu querido primo."
Dito isso, ela encerrou a chamada e jogou o celular de lado.
Aurora deitou-se de costas, olhando para o teto.
No jogo de luz e sombra, ela teve um momento de ilusão.
Parecia que estava, mais uma vez, repetindo os mesmos erros de sua vida passada.
O mesmo tipo de ocultação e engano por parte do marido.
A mesma cumplicidade entre a melhor amiga e o marido.
E ela, sempre a tola mantida no escuro, ridicularizada, manipulada e tratada como uma piada pelas pessoas mais próximas!
Uma onda de fúria e desolação subiu-lhe à cabeça. Quanto mais pensava, mais irritada ficava, e sua respiração se tornava ofegante.
De repente, sentiu uma leve dor incômoda no baixo-ventre.
Ela despertou instantaneamente, não ousando mais continuar com aqueles pensamentos.
Rapidamente estendeu a mão e acariciou a barriga saliente para se acalmar.
"Bebês, me desculpem, a mamãe não deveria ter ficado com raiva."
"Foi o papai que passou dos limites... Não vamos perdoá-lo, que tal? De agora em diante, não vamos mais falar com ele."
...
Do outro lado, Susana, após a chamada ser desligada, ficou completamente atônita.
Ela se virou e sentou-se na cama.
Sr. Luan?
Primo?
Será que Aurora descobriu?!
Ela agarrou os cabelos, hesitando por um longo tempo antes de abrir a janela de conversa e enviar uma mensagem ao primo.
【Primo, o que aconteceu com a Aurora? Ela me disse para perguntar a você.】
Pouco tempo depois, a resposta chegou.
【Ela descobriu minha identidade como Sr. Luan.】
Susana sentiu o mundo escurecer, e o celular quase escorregou de sua mão.
Ela sempre dizia o que pensava.
Mário conhecia sua personalidade, mas, ao ouvir aquilo, sentiu um aperto no peito, uma sensação de abafamento.
Ele pegou o pijama ao lado e o vestiu, enquanto perguntava: "Por que a cunhada não te ama mais?"
"É tudo culpa do seu capitão!" Susana disse com raiva. "Estou pagando o pato junto!"
Os movimentos de Mário pararam abruptamente, e ele ficou imediatamente alerta. "Eles brigaram?"
"Foi muito mais do que uma simples briga!" Susana disse, com uma expressão de desespero total. "De qualquer forma, sou a mais injustiçada! Se eu soubesse, não teria investigado tantas coisas. Quanto mais se sabe, pior é a morte!"
Mal terminou de falar, viu Mário tirando o pijama que acabara de vestir.
Em seguida, ele pegou no armário as roupas casuais que usaria no dia seguinte e as vestiu rapidamente.
"Vou dar um pulo no quartel."
Susana ficou perplexa novamente. "Agora?"
"Sim." Mário tinha uma expressão séria. "Se o Davi não estiver de bom humor, amanhã teremos treino extra para todo o pelotão. Preciso ir me preparar."
Dito isso, ele se inclinou e beijou a testa de Susana. "Durma bem, já vou."
Olhando para a porta fechada, Susana ficou atônita por um tempo.
Tudo bem.
Parecia que, quando aqueles dois brigavam, não era só ela que sofria as consequências.
Pensando nisso, ela sentiu um estranho equilíbrio.
Mas, ao se lembrar de que sua melhor amiga realmente não estava mais falando com ela, Susana começou a ficar ansiosa e aflita novamente.

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