No quarto de Susana.
Assim que a porta se fechou, Aurora virou-se e foi direto ao ponto:
"Susana, como é que seus pais nem lembram do próprio sobrinho?"
Susana olhou para trás, chocada. "Você perguntou ao meu pai e à minha mãe sobre meu primo?"
"Sim." Aurora encarou-a. "Então, ele é mesmo seu primo?"
O olhar de Susana vacilou; ela desviou os olhos, tentando manter a calma enquanto largava a bolsa no sofá.
"Claro que é meu primo."
"Nossa família Anjos é enorme, com tantos parentes e negócios, meus pais não têm como lembrar de todo mundo. Esquecerem de alguém é normal, não é?"
Aurora se aproximou e continuou a encará-la: "Mas ouvi a Noemi dizer que a sua família Anjos e a elite dos Martins, lá da Cidade Luz, têm laços de parentesco."
"O Davi também tem o sobrenome Martins."
"Susana, se você não me contar a verdade agora, eu vou contratar uma agência de detetives e vou acabar descobrindo tudo."
O olhar fixo de Aurora deixou Susana nervosa, e ela finalmente suspirou, desanimada: "O que... o que meu primo te contou?"
"Não importa o que ele disse. Quero ouvir de você!"
A voz de Aurora de repente ficou fria. "Susana, não tente me esconder as coisas como fez da outra vez, quando escondeu a gravidez! E nem pense em se juntar com seu primo pra me enganar!"
"Se você ainda me considera sua melhor amiga, seja sincera comigo!"
O coração de Susana disparou de medo.
Dizer a verdade?
Como ela teria coragem de contar!
Nunca imaginara que Aurora, ao visitar a Família Anjos hoje, fosse justamente perguntar sobre o primo!
Na Família Anjos, todos mantinham uma distância respeitosa do Sr. Luan, e era ainda menos provável conhecerem a identidade de Davi.
Ela só conheceu o primo por acaso.
Foi no seu segundo ano de faculdade, quando ela resolveu seguir Fagner escondida e o viu entrando num bar subterrâneo.
Ela viu Fagner e um homem bebendo juntos no balcão, mas, de repente, uma confusão começou com outro grupo.
Ela realmente se preocupava com o primo.
Por isso, tentava, quando podia, dar-lhe atenção de família, mesmo que ele nunca desse muita bola.
Mas, quando o primo quis casar com uma universitária e pediu sua ajuda, a primeira pessoa em quem ela pensou foi sua melhor amiga, Aurora.
Na época, porém, Aurora ainda estava presa ao antigo relacionamento.
Depois, quando Aurora mudou de ideia, Susana logo fez a ponte entre os dois.
Mas agora...
Se o primo não contou certas coisas, ela jamais teria coragem de falar.
Ser considerada "da família" pelo primo dependia justamente dessa sua discrição.
Segurando a mão de Aurora, Susana falou com um ar de lamento: "Aurora, não é que eu não queira te contar, é que eu realmente não posso!"
"Se o primo não falou diretamente com você, como eu poderia me meter?"
"Aquele negócio da gravidez também foi assim, eu jamais teria coragem de abrir a boca! Eu sou muito injustiçada!"

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