Noemi soltou uma risada sarcástica, cruzando os braços, o olhar repleto de desdém.
"Ainda por cima, é só um bombeiro."
"Nossa Família Anjos tem tradição, somos grandes, com laços de parentesco até com a elite da Família Martins."
"Não é qualquer um que tem o sobrenome Martins que pode se dizer nosso parente, não é mesmo?"
Silvana franziu as sobrancelhas imediatamente e puxou de leve a manga de Noemi.
"Noemi, talvez a Aurora só tenha se confundido, fale direito."
Mas Noemi continuou a mirar Aurora como alvo.
"Mãe, pai, vocês ainda não perceberam?"
"A Susana só está desse jeito porque foi influenciada pela Aurora, que ficou insistindo para ela ficar com aquele bombeiro chamado Mário!"
"A Srta. Franco agora é uma das principais acionistas do Grupo Galaxy, Diretora Franco, tudo em casa é decidido por ela, claro que pode escolher com quem casar."
"Mas e a Susana? Não tem competência, nem patrimônio, ainda quer imitar a Srta. Franco, passando por cima de vocês para buscar esse tal amor livre!"
"Isso é claramente desrespeito, tanto com vocês quanto com toda a nossa família!"
Noemi sentia um desprezo profundo por Aurora.
Desde pequena, entre todas as filhas da elite, Aurora sempre fora a mais peculiar.
Não só recebia o carinho exclusivo do Sr. Morais, como era mimada por todos os adultos, sempre com as melhores roupas e objetos.
O mais irritante era que Susana, uma caipira de volta do interior, carregava aquele cheiro que ninguém suportava, mas Aurora insistia em ser amiga dela.
Chegava até a vir à casa dos Anjos só para defender Susana, sempre se colocando contra Noemi.
Noemi achava que o fato de Aurora ser excluída do círculo social era mais do que merecido.
Aurora reprimiu momentaneamente suas dúvidas e, ao ouvir as acusações de Noemi, sorriu ao invés de se irritar.
"Srta. Anjos, suas palavras me deixam realmente intrigada."
"Você diz que Susana não tem competência?"
"Mas a Susana que eu conheço voltou do interior e, em apenas três anos de ensino médio, saiu do fim do ranking e chegou entre os mil melhores do país, entrando na faculdade de direito mais prestigiada."
"Me diga, que outra filha de família age desse jeito?"
"E ainda tem problema na cabeça, qualquer dinheiro que recebe quer mandar para aqueles pais adotivos!"
"Se nossos pais realmente dessem uma propriedade para ela, ela logo traria aqueles caipiras para morar em Cidade Luz! E a imagem da Família Anjos, como ficaria?"
Silvana, vendo a situação, suspirou profundamente, o rosto tomado pela tristeza.
"É mesmo, Aurora, a Susana é teimosa demais, já se passaram tantos anos e ela ainda não consegue esquecer aqueles pais adotivos."
"Ela estudou direito, deveria saber que aqueles pais adotivos a compraram de traficantes de crianças, também são criminosos! Como ela ainda pode ter gratidão por eles?"
"Enquanto ela não esquecer isso, eu e o pai dela nunca teremos coragem de passar os bens da família para ela."
Essas palavras, cheias de mágoa, colocavam toda a culpa sobre Susana.
O coração de Aurora afundou, e ela franziu o cenho ao dizer: "Tia, tio, desculpem-me pela franqueza."
"Se Susana fosse realmente feliz nesta família, por que continuaria pensando nos pais adotivos?"

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