Meia hora depois.
À mesa de jantar, o clima estava um pouco pesado.
Aurora comia devagar os pratos preparados por Davi, com os cílios abaixados.
Na noite anterior, ainda tinham discutido por causa do filho e terminaram o dia sem se entender. Agora, nenhum dos dois mencionava o assunto.
Por fim, foi Davi quem quebrou o silêncio, com a voz baixa.
"Saiu hoje?"
Aurora respondeu com um "uhum", sem ânimo.
"Da próxima vez, peça para o Osvaldo te levar de carro. Não dirija sozinha." Ele falou em tom sério.
Aurora, porém, pareceu não perceber o cuidado dele e recusou de forma indiferente.
"Ainda estou no começo da gestação, não atrapalha dirigir."
Davi franziu as sobrancelhas, mas não insistiu no assunto. Apenas continuou, em silêncio, colocando mais comida no prato dela.
Aurora não conseguiu comer nem metade do prato.
Ela pousou o garfo. "Pode comer com calma, vou para o escritório."
Davi observou as costas dela enquanto se afastava, com o cenho ainda mais fechado.
Subitamente, também perdeu o apetite. Terminou rapidamente seu prato, guardou as sobras na geladeira, lavou a louça e foi direto para a academia.
Aurora, no escritório, apenas ficou olhando para o nada ou, quando tentava, folheava um livro sem prestar atenção, com a cabeça cheia de pensamentos confusos.
Duas horas depois, decidiu ir para o quarto tomar banho e dormir.
Mas, assim que abriu a porta do escritório, a porta da academia, logo em frente, também se abriu.
Davi saiu de lá sem camisa.
Vestia apenas um short esportivo preto e, sabe-se lá quanto tempo tinha ficado lá dentro se exercitando com tanta intensidade, pois estava coberto por uma fina camada de suor. As gotas escorriam pelos músculos definidos do corpo dele, exalando uma energia selvagem.
Seu corpo alto parou na porta, o peito subia e descia rapidamente pela respiração ofegante, causando um impacto visual irresistível.
Aurora arregalou os olhos, sentindo as pupilas se contraírem.
Com a cabeça girando, Aurora, por instinto, passou os braços ao redor do pescoço dele.
"Já faz tempo que não tomamos banho juntos." Ele olhou para ela nos braços, a voz rouca e grave. "E também faz tempo que não temos nossa vida de casal. Se continuar assim, vou acabar virando padre."
O rosto de Aurora ficou vermelho na hora, entre irritada e ansiosa. "Durante a gravidez não pode…"
"Você já está com quase quatro meses." Davi a interrompeu. "Eu pesquisei, é permitido, faz bem para o humor dos dois."
"Prometo ser cuidadoso, não precisa se preocupar."
Aurora ficou sem palavras. Sua força não era nada comparada à dele; parecia um gatinho, incapaz de resistir.
Em pouco tempo, ele a despira completamente e a levou nos braços para o amplo box do chuveiro.
Quando a água morna tocou a pele, ela se assustou e, por reflexo, se agarrou ainda mais forte nele.
No instante em que seus corpos se encostaram, aquele cheiro dominador e quente a envolveu por inteiro.
Em silêncio, Aurora suspirou por dentro. No fim das contas… acabou cedendo.

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