O olhar ardente dele permaneceu fixo nela, a voz carregando uma emoção contida que mal conseguia disfarçar.
"Aurora, eu sabia... Você nunca me esqueceu de verdade."
"Precisamos conversar seriamente."
Aurora, porém, nem sequer levantou as pálpebras, interrompendo-o friamente:
"Você já descobriu quem foi o verdadeiro responsável pela morte da minha mãe?"
A expressão de Nelson rapidamente se apagou, e ele ficou parado ali, completamente rígido.
Vendo aquele rosto, Aurora entendeu tudo; um sorriso de escárnio surgiu em seus lábios.
"Não descobriu?"
"Ou... não tem coragem de buscar a verdade?"
Nelson franziu profundamente a testa, a voz abafada:
"Quando ela criou o personagem, não ativou o cache. Eu não consigo ver tudo o que passou pela cabeça dela."
Aurora estreitou os olhos.
Íris havia sido cautelosa, afinal.
No mundo de realidade virtual, tudo podia ser controlado e configurado por ondas cerebrais; ao que parecia, ela temera que Nelson descobrisse algo e, por isso, não ativou o cache de propósito.
Mas, para limpar o nome de sua mãe, ela precisava fazer alguma coisa.
"Posso te ajudar a instalar um programa de cache externo."
Ela fez uma pausa. "Se não confiar em mim, pode procurar outra pessoa..."
Antes mesmo que terminasse a frase, Nelson empurrou rapidamente os óculos de realidade virtual em seus braços.
"Eu confio em você."
Nesse instante, uma silhueta alta e imponente apareceu na porta da varanda.
Davi, com uma mão no bolso da calça, deixou o olhar passar por Nelson e pousar diretamente em Aurora.
Ele estendeu a mão para ela, a voz grave:
"Amor, está na hora de voltar pra casa."
Aurora imediatamente contornou o corpo paralisado de Nelson e colocou sua mão na de Davi.
"Sim."
Ela respondeu, deixando-se levar por ele, saindo sem olhar para trás.
Nelson permaneceu imóvel, só depois de muito tempo se virou lentamente.
Esse gesto pareceu incendiar de vez a razão do homem.
A mão de Davi deslizou decidida sob a borda da toalha frouxa, tocando a pele quente e suave dela.
Os dedos ásperos, cobertos por calos, ao deslizar por cada centímetro, deixavam atrás de si rastros de arrepios incontroláveis.
Enquanto a beijava, os dedos quentes e firmes desciam lentamente, explorando com delicadeza, depois se aprofundando, devagar...
Aurora sentiu uma onda de fraqueza, a mente virando um borrão, restando apenas pequenos gemidos escapando de seus lábios.
Quando ele julgou que era o momento certo, Davi rapidamente afastou as mãos, sussurrando rouco em seu ouvido: "Espere por mim", e levantou-se para pegar algo.
Mas nesse breve intervalo, Aurora, ao relaxar de repente, foi invadida por um cansaço inexplicável, como uma maré, e adormeceu imediatamente.
Davi: "..."
Ele olhou para o que acabara de tirar do pacote, depois para a mulher deitada na cama, respirando tranquila, e quase riu de incredulidade.
O homem se inclinou, depositando um beijo quente atrás da orelha sensível dela, a ponta da língua traçando um leve arco.
Sua voz aveludada, cheia de desejo contido, soou como um feitiço irresistível:
"Aurora, só pode dormir depois que terminarmos."

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