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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 363

Ela, claro, gostou menos ainda daquela desculpa. Saiu do elevador na hora.

— Ótimo. Então você fica com esse, eu pego outro.

— Lorena! — Ele, sem saber mais o que fazer, segurou nos ombros dela e a empurrou de volta para dentro do elevador. — Eu só quero te acompanhar até lá embaixo.

— Não precisa. — Ela respondeu, enquanto apertava o botão de fechar.

Ele sabia que essa seria exatamente a reação dela e, às pressas, enfiou a mão na porta para impedir que o elevador se fechasse.

— Então me tira da sua lista de bloqueio. Assim eu consigo te enviar os documentos.

Lorena o desbloqueou ali mesmo, na frente dele.

— Pronto. Satisfeito? Se não for urgente, não me procura. Obrigada.

Não havia o que ele pudesse fazer. Se ele insistisse mais um pouco, ele só ia fazer com que ela pegasse ainda mais antipatia dele. Ele só pôde ficar parado, vendo ela fechar a porta do elevador e os números irem diminuindo, andar por andar, enquanto o elevador descia.

Lá dentro, Lorena ficou o tempo todo com a mão espalmada sobre o peito.

Aquele lugar, ao longo dos últimos cinco anos, tinha acumulado um monte de espinhos invisíveis. Cada um parecia fincado bem no meio do peito, doendo em silêncio e, de vez em quando, rasgando tudo por dentro e fazendo o coração dela sangrar de novo.

Ela tinha achado que tirar espinho por espinho ia levar uma eternidade.

Mas não foi assim.

Naquele dia, naquele exato momento, ela teve certeza: tocava o mesmo lugar que um dia tinha doído tanto… e simplesmente não sentia mais nada.

No fim das contas, só dói quando a gente ama. Quando a dor some, é porque o amor acabou.

— Que alívio, Isaac. Eu não amo mais você. Finalmente, não amo mais você de jeito nenhum. — Ela murmurou bem baixo, para si mesma.

O que ela não esperava era encontrar Simão logo ao sair do elevador. Estava óbvio que ele tinha ficado esperando por ela de propósito.

— Lorena. — Simão parecia meio sem jeito diante dela. — Você tem um tempo para tomar um café?

— Não tenho. — Lorena não nutria o mínimo carinho por nenhum dos amigos de Isaac. Ela respondeu e já foi saindo.

Simão correu para alcançá-la e, de novo, parou na frente dela.

Ethan tinha mandado um motorista buscá-la. Assim que ela saiu do prédio da empresa, ela viu o carro esperando na vaga da rua.

Ela entrou sem hesitar. Ela queria ir para casa. Ela não queria perder nem mais um minuto naquele lugar.

Quando ela chegou, Ethan já tinha deixado a casa quase pronta.

Ela não tinha mentido para Isaac: o primo dela estava mesmo organizando uma festa para comemorar o divórcio.

Assim que ela entrou, ela deu de cara com a sala lotada de flores, balões e um monte de coisas brilhantes, tudo piscando e reluzindo. Já tinha convidados em casa: Liliane, Alberto, Sofia e Priscila.

Ethan tinha pedido para ela chamar justamente aquelas pessoas, dizendo que ia ter festa de comemoração e que ele queria a casa bem animada.

Quem falou que só casamento merece festa? Divórcio também merece.

Ethan tinha encomendado um bolo de três andares, com uma vela no topo. No bolo, em letras bem grandes, estava escrito:

“Lô, parabéns pelo seu novo começo.”

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