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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 357

Aquele grupo de gente tinha chegado rápido e tinha ido embora ainda mais depressa.

Em poucos segundos, só Isaac continuava ali parado, diante da lixeira ao lado da vaga, com vontade de vomitar e sem conseguir. O estômago dele doía como se estivesse torcido por dentro.

O funcionário da limpeza do estacionamento saiu naquele momento. Quando ele viu a bagunça espalhada pelo chão, ele se virou na direção de Isaac e começou a despejar toda a irritação em cima dele:

— Meu Deus! Como é que você consegue ser tão sem noção? Por que você fez uma coisa dessas? Olha essa sujeira espalhada por tudo! Você é lixo, né? Por que você não se joga logo junto no lixo de uma vez?

Enquanto falava, o homem ainda aproveitou o movimento da vassoura e deu uma cutucada forte no tornozelo de Isaac.

Isaac não teve como se defender. Ele engoliu a náusea, tentando controlar o reflexo de vômito, e estendeu a mão para pegar a vassoura:

— Me desculpa… urgh… eu limpo… eu limpo tudo… urgh…

— Hã! Limpa tudo mesmo! E ainda vai ter que lavar o chão! — O funcionário retrucou, sem nenhuma pena.

Atrás de uma parede, num canto do estacionamento, um pequeno grupo de pessoas que tinha se escondido ali trocou olhares, assentiu em silêncio e foi embora.

Eles tinham combinado de esperar Isaac sair para então recolher o lixo. Mas, já que ele mesmo estava limpando, eles acharam melhor deixar por conta dele.

Na cabeça deles, era exatamente onde ele devia estar: no meio do lixo.

Daquele jeito, Isaac não tinha a menor condição de subir para a empresa. Assim que terminou de limpar, ele entrou no carro e voltou para casa.

Ele tomou outro banho, esfregou o corpo como se quisesse arrancar o cheiro da própria pele, e depois sentou na cadeira, encarando o nada.

Aquela era a cadeira em que Lorena gostava de sentar. Ela se jogava ali para maratonar série, ler, estudar inglês.

Em cima da mesa ainda estavam as coisas dela. No porta-canetas, algumas canetas. Sobre o tampo, empilhados, os livros que ela tinha lido: quase todos de história da arte.

Ele puxou uma gaveta. Dentro, havia um espaço inteiro só de livros. Ele pegou um deles: uma coletânea de provas antigas do IELTS.

Ele se lembrou de que o inglês dela não era grande coisa. Pelas lembranças que tinha do ensino médio, as notas dela eram fracas. Da última vez que ele tinha aberto aquele livro, tinha visto respostas erradas por toda parte.

Isaac folheou algumas páginas, distraído, até que algo chamou a atenção dele. Ele percebeu que, nas provas de leitura, as notas já tinham chegado a 7.

Os olhos de Isaac arderam como se alguém tivesse cravado algo fundo demais.

Então, desde aquela época, ela já estava realmente decidida a se divorciar.

Cada vez que ela tinha falado em divórcio, ela tinha falado sério. Não tinha sido drama para segurar ele, nem truque para afastar a Aurora. Ela tinha, de verdade, querido ir embora.

Quando ele virou as páginas, ele encontrou o registro, dia após dia, dos mais de vinte dias antes de ela viajar para a Europa. Pequenas coisas, situações que, para ele, não passavam de detalhes sem importância, mas que, para ela, tinham pesado como pedras no peito. A cada dia registrado, o coração dela parecia ter morrido um pouco mais.

Ele abaixou a cabeça e encostou a testa no caderno dela. A vista ardeu, embaçando as palavras.

Se, naqueles mais de vinte dias, ele tivesse, em pelo menos alguns momentos, se colocado no lugar dela, se ele tivesse tentado enxergar pelas lentes dela, talvez ele ainda tivesse tido uma chance de reverter tudo. Mas ele não tinha feito isso.

Ele tinha escolhido ignorá-la, dia após dia, até empurrar os dois para um ponto sem volta.

Ele tinha vivido certo de que ela nunca iria deixá-lo, nunca iria sair daquela casa. Foi por isso que ele tinha defendido Aurora uma vez, depois outra, depois outra, até destruir o que existia entre ele e Lorena.

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