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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 303

— Solta ela. — Disse Ethan em tom frio.

— Soltar? — Ailton ficou surpreso. Aquilo não era o jeito de Ethan agir. Ailton tinha certeza de que Ethan ia fazer aquela mulher pagar caro, até implorar pela própria vida.

— Sim, solta. — Ethan respondeu. — Às vezes, cachorro mordendo cachorro também vira um belo espetáculo.

Ailton concordou e desligou a ligação. Ele tinha pensado em perguntar se Ethan não tinha medo de que, solta, aquela mulher continuasse aprontando. Mas a ideia sumiu tão rápido quanto veio. Afinal, com o Sr. Rossi por perto, ninguém ia conseguir fazer nada que machucasse Rita e Lorena. O resto, mesmo que virasse um escândalo, não teria nada a ver com eles.

Ethan voltou para o quarto e continuou ao lado da avó e de Lorena.

Em um porão escuro, em algum lugar da cidade.

Aurora estava encolhida num canto, tremendo sem parar. Ela tinha sido sequestrada e levada para ali. Ela não sabia quem tinha pegado ela, não sabia onde ela estava, nem sabia ao certo há quanto tempo estava presa.

Alguém tinha tomado o celular dela na hora em que a agarrou e depois tinha jogado ela naquele buraco escuro. Ela não fazia ideia de quanto tempo tinha passado ali dentro, não sabia se lá fora era dia ou noite. Claro que ela também não tinha nada para comer.

Ela estava com fome, mas o medo dominava muito mais.

Principalmente porque aquele homem que chefiava o grupo que tinha ido atrás dela era assustador demais. Só de lembrar dele, ela sentia o corpo inteiro gelar.

Ela vasculhou a própria memória de cima a baixo e não conseguiu lembrar quem ele poderia ser. Mas o pânico do momento em que jogaram ela lá dentro voltou inteiro, esmagando-a de novo.

Eles realmente tinham jogado ela no chão.

Eles tinham atirado ela escada abaixo. Ela rolou vários degraus até parar, com o corpo inteiro doendo como se alguém tivesse desmontado cada osso. Ela nem sabia se tinha quebrado alguma coisa.

Depois disso, uma lâmpada fraca se acendeu no porão.

Alguém desceu as escadas. Muita gente. O homem que vinha à frente usava óculos escuros. Usar óculos escuros num lugar tão escuro só podia ser para ninguém reconhecer quem ele era. Mas era até exagero, porque não dava para ver nada direito mesmo. Todos usavam máscara e cercavam o homem de camisa preta na liderança.

— O que vocês querem fazer comigo? Eu vou chamar a polícia! — No começo, Aurora ainda gritou algumas vezes.

Mas o homem à frente respondeu com uma voz fria como gelo:

— Chamar a polícia? Você vai contar para a polícia que você mandou o Michel sequestrar uma idosa ou vai contar para a polícia o que você fez fora do país, Katherine Ford?

Quando aquele homem pronunciou o nome em inglês com um sotaque perfeito, Aurora ficou em choque.

— Então. — O homem virou o rosto para o assistente ao lado e perguntou. — A gente não tem uma carga para embarcar um desses dias?

— Tem.

Aurora ficou completamente perdida. Ela não entendeu como, do nada, eles tinham começado a falar de negócios.

Então o homem olhou de volta para ela, com um sorriso gelado:

— Katherine, você já não está de volta há um tempinho? Você não está com saudade do senhor Ford? Que tal voltar com a nossa carga no navio? Pode confiar na gente. A gente garante que você chega inteira no destino.

O rosto de Aurora ficou da cor de papel.

Ela entendeu que aquilo podia significar duas coisas, e nenhuma servia para ela. Uma era levar ela de verdade de volta. Não. Ela jamais ia voltar. E a outra… a outra possibilidade, ela nem ousou terminar de formar na cabeça.

O mar era imenso. Ninguém nunca ia saber em que porto iam largar ela, nem o que estaria esperando por ela lá. Ou, pior, eles podiam simplesmente jogar ela no meio do oceano para os peixes comerem, sem deixar rastro, sem deixar nem os ossos.

Aurora olhou para aquele homem como se estivesse encarando uma cobra venenosa.

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