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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 285

Foi como uma brisa leve que passou de raspão pelo rosto dela. Quando Lorena finalmente reagiu, Isaac já tinha se afastado para longe. Ela só conseguiu ver as costas dele se misturando rapidamente à multidão apressada de Veneza, até sumir de vista.

— Lorena! — Alberto chamou do barco.

— Já vou. — Lorena sentiu um alívio no peito. Na cabeça dela, Isaac finalmente tinha entendido. Ele provavelmente não ia mais insistir naquela ideia de "ser responsável por ela pelo resto da vida".

Lorena subiu no barco e, junto com a companhia de turnê, se preparou para seguir rumo à próxima cidade.

O que Lorena não viu foi que Isaac não tinha ido tão longe assim. Depois que ela entrou no barco, ele apareceu na varanda do terceiro andar de um hotel à beira da água, olhando o barco dela se afastar cada vez mais.

Atrás de Isaac, Aurora se aproximou. Ela seguiu a direção do olhar dele e também viu o barco.

— Isaac. — Aurora falou. — Ela foi embora.

Isaac não respondeu.

— Isaac, você ainda tem a nós. — Aurora se colocou ao lado dele, ombro a ombro. — Isaac, eu não vou mais embora. De verdade. Nós nunca mais vamos te deixar.

Em Veneza, barcos iam e vinham o tempo todo. Em poucos minutos, o barco de Lorena já tinha desaparecido. Na água, só ficavam indo e voltando embarcações idênticas. Ninguém saberia dizer em qual delas ela estava.

Isaac abaixou a cabeça e soltou uma risada sem alegria:

— É… Na verdade, eu devia estar feliz. Ela encontrou o próprio caminho. Não era isso que eu queria?

— Claro que sim, Isaac. Ou você achou mesmo que ia passar a vida inteira com uma pessoa que não te ama?

— A vida inteira, é? — O olhar de Isaac se perdeu lá longe, muito além do canal.

Quando Aurora ouviu isso, o olhar dela também pesou, mas ela rapidamente vestiu uma expressão de tristeza ressentida:

— Isaac, no fundo, é a Lorena que não sabe valorizar o que tinha. Qualquer outra mulher, com um marido como você, com rios de dinheiro para sustentar ela, teria sido feliz demais. Ia segurar você nas mãos e tratar como se fosse um tesouro.

Isaac deu um sorriso breve, com um toque amargo.

Aurora franziu de leve a testa e logo trocou a expressão por um sorriso:

— Isaac, deixa para lá. Se ela quis ir, que vá. Você merece alguém que te ame de verdade e que te faça feliz.

Isaac finalmente tirou os olhos da água e olhou para o rosto dela.

— Isaac… — Aurora sorriu para ele.

— Vamos voltar. — Disse Isaac. — Faz tempo demais que eu estou longe da empresa. Eu não fico tranquilo assim.

— Ah… — Aurora ficou sem reação por um instante. — Tá, tá bom. Até que é bom mesmo, eu já estou com saudade do Breno Simão e do pessoal.

— Aham. — Isaac, em seguida, começou a comprar as passagens de avião. — Para onde você vai voar?

Aurora travou de novo:

— Eu… Claro que vou com você. Você não vai voltar para Huambo?

Isaac abaixou os olhos para as passagens:

— Eu quero passar em Alvorada primeiro.

[A passagem para Alvorada está garantida. Em três horas eu chego em Alvorada.]

Aurora soltou o ar, aliviada.

Três horas, ou mais de dez horas. Quem ia chegar primeiro?

Enquanto isso, a viagem de Lorena tinha sido leve, como se ela finalmente tivesse se livrado de um tipo de algema invisível. Na cidade seguinte, ela ainda teve a alegria de encontrar a tia Milena.

O roteiro da turnê não incluía a cidade onde a tia morava, mas Lorena vinha mantendo contato com ela e as duas tinham combinado de se encontrar ali.

Assim que chegou ao hotel, Lorena viu Milena no saguão.

Ela não tinha visto a tia muitas vezes na vida, mas reconheceu na hora. Milena lembrava muito a avó no jeito de ser e nos traços do rosto. Milena, que estava tomando café, também reconheceu de imediato a sobrinha quando viu aquele grupo de conterrâneos entrar.

— Lô! — Milena a abraçou com força. — Você está enorme!

E estava mesmo. Da última vez em que Lorena tinha visto Milena, ela ainda era só uma menina.

No primeiro dia na nova cidade, não haveria espetáculo à noite. Cada um teria um tempo para descansar. Então Lorena saiu só com Milena.

Milena já sabia que a perna de Lorena tinha ficado comprometida e, ao ver a situação de perto, ficou ainda mais mexida, com o coração apertado.

Lorena foi quem acabou consolando Milena. Ela sabia muito bem diferenciar o que era preocupação verdadeira e o que era maldade. Milena se preocupava com ela de verdade.

As duas eram as pessoas de quem Rita mais sentia falta no mundo. Por isso, a primeira coisa que fizeram foi ligar por videochamada para Rita, para ela ver que a filha e a neta queridas estavam, finalmente, juntas.

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