Jane adormeceu, acordando apenas à tarde. Estava exausta e a febre era alta, deixando seu corpo fraco. Quando acordou, a primeira coisa que viu foi o teto branco, ainda estava atordoada e não compreendia onde estava.
- Acordou?
Uma voz magnética, de repente, ecoou. Jane estremeceu e instintivamente virou a cabeça para o lado. Ali estava um homem, elegante, encostado em uma cadeira ao lado de sua cama, segurando um arquivo.
Ao olhar para ele, justamente, ele levantou o olhar dos documentos em suas mãos e olhou para Jane por um instante:
- Está com fome?
Após perguntar, ele retornou sua atenção para os documentos em sua mão. Jane, com os lábios secos, olhou em volta.
- Presidente Gomes, obrigada por me trazer ao hospital. Me desculpe por causar problemas.
Rafael, segurando o arquivo, sentiu uma estranha irritação. Aquele som da voz rouca dela, por alguma razão, incomodava.
Além de agradecer e pedir desculpas, ela não tinha mais nada a dizer? O homem não falou. Jane baixou o olhar, evitando olhar para ele.
O som de páginas sendo viradas.
Outro som.
Rafael não falava, Jane também não, apenas continuava revisando o arquivo.
Era um ambiente estranho, mas ao mesmo tempo harmonioso. E ninguém parecia disposto a quebrá-lo.
Finalmente, Jane não aguentou mais.
- Presidente Gomes.
Ela chamou suavemente. O homem ao lado da cama continuou a fazer seu próprio trabalho, ignorando seu chamado.
Depois de um tempo, Jane estava ficando impaciente:
- Presidente Gomes?
Desta vez, sua voz estava um pouco mais alta. Ainda assim, a única resposta que obteve foi o suave som das páginas sendo viradas.
Passou mais um pouco de tempo.
- Presidente Gomes?!
Desta vez, a voz estava finalmente um pouco mais alta.
- Sim?
O homem pôs de lado os documentos, olhou elegantemente para Jane e ela perguntou.
- Luísa está bem?
Naquele momento, Rafael perdeu a paciência, indignado!
- Jane, você está sendo excessivamente compassiva! A primeira coisa que faz ao acordar é se preocupar com os outros?
Jane mordeu o lábio e olhou seriamente para Rafael:
- Presidente Gomes, você está errado. Eu a defendi para que você pudesse poupar a vida dela, para dar-lhe um corpo saudável. O resto, você decide.
- Pensei que sua compaixão fosse tamanha, que você poderia ser amiga de alguém que sempre te machuca.
O sarcasmo do homem estava explícito. Jane não se defendeu, apenas olhou séria para Rafael:
- Ela é sua empregada. Presidente Gomes, você pode puni-la. Só peço que desta vez, poupe a vida dela. Quanto ao futuro, se Luísa incomodar o Presidente Gomes novamente, faça o que achar necessário. Prometo que nunca mais defenderei ela. - Ela reiterou:
- Não quero dever a vida de mais ninguém nesta minha existência.
A sensação era como se carregasse uma enorme dívida. Rafael olhou para a mulher na cama com uma expressão complexa.
- Você finalmente admitiu, Jane?
- Você finalmente admitiu que deve uma vida a alguém?
- Jane, não admita.
- Jane, se você conseguiu negar isso três anos atrás, também deve negar agora.
- Não aguenta mais o tormento mental?
Jane fez um som de assentimento:
- Então eu preciso ir trabalhar.
Com isso, ela começou a levantar o cobertor, preparando-se para sair da cama.
Uma mão a segurou, Rafael disse:
- Hoje você está de licença médica.
- Eu não preciso.
Rafael de repente apertou os olhos:
Jane subitamente se sentiu como se tivesse sido atingida por um raio!
Ela arregalou os olhos, as palmas das mãos apertadas em punhos!
Mas mesmo assim, ela não conseguiu controlar o tremor de suas mãos!
Ele realmente disse isso!
Ele realmente disse, na frente dela, a coisa que ela menos queria que alguém soubesse!
E o autor desta situação era ele mesmo!
- Presidente Gomes, eu sei o que me falta! Não preciso que você me lembre!
Seu fôlego tremia, seus olhos estavam cheios de veias vermelhas.
- Tudo isso, graças à sua generosidade, é todo o seu mérito. Você não precisa me lembrar várias vezes como eu aceitei sua generosidade, sua atenção!
Raiva, dor, sofrimento!
- Rafael, essa é a dor que você me deu, e agora você está aqui para jogar sal na minha ferida?!

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