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CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo! romance Capítulo 445

Ivone mexeu os olhos e olhou para Raul, sentado ao lado da cama. Ela não falou nada. No fundo daqueles olhos vazios já não existia mais luz nenhuma.

— Você não vivia dizendo que o seu lanche preferido era hambúrguer com picles. Eu comprei um para você. Come um pedaço, vai. — Vera falou com delicadeza.

Ivone mexeu de leve o canto da boca, mas continuou sem responder. Só deixou que as lágrimas escorressem em silêncio pelo canto dos olhos.

Os olhos de Raul já estavam vermelhos antes mesmo de ela acordar. Naquele momento, ele sentiu tanta pena que as lágrimas começaram a cair. Ele apertou com força a mão dela e tentou acalmar, com toda a paciência:

— Não chora. Come um pouquinho, está bem?

Por fim, Ivone deixou a voz rouca sair:

— Eu não estou com fome.

A garganta de Davi apertou. Ele virou o rosto para o outro lado.

— Come só uma mordida, por favor. — Raul pediu.

Mas Ivone não respondeu mais. Ela apenas fechou os olhos, sem forças.

Davi atendeu ao celular. O psiquiatra mais renomado que ele tinha chamado do exterior já tinha chegado em Uíge. Ele saiu do quarto, e Vera acompanhou os passos dele para irem juntos receber o médico.

— Senhorita, faz o favor, come alguma coisinha. — A voz paciente de Raul ecoou no quarto silencioso.

Mas Ivone parecia não escutar.

O olhar de Raul pousou no rosto dela, visivelmente mais magro. Ele baixou a cabeça, com a voz presa na garganta. De repente, uma mão tocou de leve o ombro dele.

O corpo de Raul parou na hora. Ele ergueu a cabeça depressa e, feliz, chamou:

— Senhorita…

Só que as palavras de Ivone caíram sobre ele como um balde de água fria:

— Tio Raul, você não precisa se preocupar comigo. Se eu ficar com fome, eu como.

Ivone tinha passado o dia inteiro sem comer nada. Tudo o que ela tinha engolido no almoço tinha ido parar de volta no balde. Não tinha como ela não estar com fome. O problema não era não sentir fome. O problema era que ela já não conseguia mais comer.

Raul tinha achado, por um momento, que Ivone finalmente ia aceitar comer alguma coisa. Em vez disso, ela ainda se preocupava em consolar ele.

Davi tinha razão. Tudo o que Ivone tinha sofrido começava em Fabiano. Tinha sido o egoísmo dele que, passo a passo, tinha empurrado ela para dentro desse poço de dor.

Os ferimentos de Ivone eram obra direta das escolhas dele. Ele sabia que não era digno de estar ali, olhando para ela.

Fabiano pegou a mão de Ivone e encostou nos próprios lábios, dando um beijo:

— Ivi. Eu sei que eu errei.

Adormecida, Ivone pareceu cair em um pesadelo. As sobrancelhas se franziram com força, os cílios tremeram, e a voz dela saiu num sussurro rouco e cheio de dor:

— Afinal...você…

As mãos de Fabiano, que seguravam as dela, travaram no mesmo instante. O olhar escuro, sem fundo, ficou cravado no rosto dela. A ponta dos dedos frios acariciou de leve a testa tensa.

Quando Ivone foi, aos poucos, se acalmando, com a respiração ficando mais estável, Fabiano continuou encarando o rosto adormecido dela e respondeu, baixinho:

— Fui eu.

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