Do banheiro vinha o som da água caindo. Na pia, o sangue se misturava à água e escorria pelo ralo.
No quarto, o toque de um celular começou a tocar.
No espelho, Maia mexeu o pescoço, virando-se na direção do som. Ainda havia algumas gotas de sangue no rosto dela.
O celular tocou por um bom tempo, até que o barulho da água parou.
O quarto ficou completamente silencioso. Depois de alguns segundos, uma mão encharcada pegou o celular do chão e atendeu a ligação.
Do outro lado da linha, a voz do homem soou grave:
— Aquilo que você mandou eu investigar começou a render. Há dois dias, os seguranças do Fabiano têm levado e buscado uma pessoa no hospital. Deve ser essa pessoa que você queria encontrar.
— Quem é? — Maia perguntou, num tom leve, quase distraído.
— Uma mulher de teatro. Faz peças.
Um brilho de ódio atravessou o olhar de Maia.
Mulher.
Maia se lembrou de quando Fabiano a trouxe de volta ao país. Ele não falava muito. Além do tom de voz, que era relativamente calmo, a atitude dele com ela era sempre distante.
Mesmo assim, Fabiano tinha concordado em lhe dar a pulseira de rubis. Não era a que tinha pertencido à mãe de Ivone. Ele também tinha permitido que ela morasse naquela casa do condomínio Vila Imperial.
Ele a levou pessoalmente ao hospital para fazer exames. Quando ela dizia que não tinha apetite, ele ainda chegava a fazer uma ou outra refeição com ela.
A frieza dele, a distância dele, ainda assim tinham sido suficientes para fazê-la se afundar completamente.
Esse "tratamento especial" não podia, de forma alguma, ser dado a outra mulher que não fosse ela.
E agora surgia outra mulher do nada. Só de imaginar, Maia sentia vontade de matar aquela mulher naquele instante.
Maia murmurou:
Quando, afinal, Fabiano tinha comprado aquela ilha?
Depois que entrou no helicóptero, Fabiano também tinha adormecido. Ele quase nunca sonhava. Mas, dessa vez, no sonho, voltou ao ano em que levou Ivone à ilha pela primeira vez.
Depois que assumiu tudo da família Moraes, ele viu aquela ilha em um leilão e se encantou imediatamente. Não pensou em mais nada, apenas teve uma certeza: havia alguém que, com toda certeza, iria amar aquele lugar.
Ivone gostava de céu estrelado. Ivone gostava da lua.
Fabiano já entendia muito bem o coração daquela menina. Quando, finalmente, ela não conseguiu mais se conter e correu até ele para se declarar, ele considerou aquilo uma oportunidade que o destino colocava em suas mãos. Ele decidiu se lançar, sem medir consequências, e afundar junto com ela.
Na ilha, Ivone disse com toda a ousadia que queria beber com ele. Em segredo, trocou o rótulo da bebida forte por outro de bebida fraca.
No fim, quem acabou bêbada foi Ivone, e ele a levou no colo até a cama. Só depois de muita provocação e conversa mole ela confessou que queria embebedá-lo, aproveitar para "abusar" dele e fazê-lo ser dela para sempre.
Foram quinze dias de paraíso longe do mundo, sem ninguém, sem celular, sem interferência externa. Fabiano e a Ivone de vinte anos viveram ali uma paixão sem freios naquela ilha desconhecida, queimando sob a mesma chama.
Naquela época, faltou tão pouco…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...