A gravata que Fabiano segurava era igual à que Ivone tinha usado para prender o cabelo, só mudava a cor. Ele afrouxou o tecido entre os dedos e falou com uma franqueza quase ofensiva:
— Se eu ficar de olhos abertos para competir com você, eu posso dar dez anos para você que, mesmo assim, você não ganha de mim.
Aquilo era humilhante. Mas também era verdade.
Se Roberto estivesse ali naquele momento, com certeza ele ia fazer questão de completar a frase para Ivone:
"E mesmo se ele vendar os olhos, e alguém ainda der mais cinco anos para você, você também não ganha!"
A mira de Fabiano ficava no limite do que um ser humano podia alcançar. Aqueles vinte e cinco metros eram a distância que ele usava, aos dez anos de idade, para treinar tiro rápido de pistola.
Já para alguém como Ivone, totalmente amadora, aquela distância já entrava na faixa intermediária de uma competição oficial. Quando Cássio começou a treiná-la, ele já tinha escolhido essa metragem. Até agora, ele só tinha ensinado Ivone a usar pistola.
Ivone lançou um olhar na direção de Fabiano.
Por coincidência, ou talvez não, o que ela tinha acabado de pensar em pedir para si mesma era exatamente isso: que ele atirasse vendado contra ela.
Fabiano já tinha sequestrado Ivone para aquela ilha. Ela não estava em posição de exigir nenhum tipo de justiça ou igualdade.
— Como é que vai ser essa disputa? — Ivone perguntou.
— Vinte tiros seguidos. A gente soma só os pontos inteiros do alvo. Pontuação máxima, duzentos — Fabiano explicou.
Vinte balas.
Ivone começou a fazer as contas em silêncio. Comparado com uma regra de "melhor de um" ou "melhor de cinco", as chances dela pareciam um pouco menos ínfimas. E, como seriam todos os disparos de uma vez só, a pressão psicológica também seria menor. Ela assentiu:
— Pode ser como você falou.
Com a gravata pendendo na mão, Fabiano observou o esforço dela para fingir naturalidade. O canto da boca dele subiu, preguiçoso:
— Damas primeiro.
Ivone apertou mais forte o cabo da arma e trouxe de volta, na memória, a imagem de Cássio ensinando-a a atirar.
Um riso baixo escapou da parte mais funda da garganta dele.
Naquele momento, Ivone tinha esquecido o resto. Ela tinha deixado de lado o passado, as mágoas, tudo. A brisa do mar fazia a gravata presa no cabelo dela balançar devagar. Os traços vivos do rosto bonito, banhados de sol, pareciam ainda mais ousados, intensos.
Ao fim dos vinte tiros, Ivone tinha acertado três vezes o centro do alvo, o dez. A soma final dela foi de cento e sessenta e sete pontos. Era, oficialmente, o melhor resultado que ela já tinha conseguido.
Depois que ela abaixou a pistola, Ivone olhou o movimento de Fabiano se preparando para vendar os próprios olhos. No olhar dela, ele já não era mais o homem da vida dela; era apenas um adversário.
— Você não vai trapacear, vai? — Ivone perguntou.
— Um resultado de cento e sessenta e sete… vale mesmo a pena eu trapacear por isso? — A gravata desceu e cobriu os olhos sorridentes de Fabiano.
O vento levantou as duas gravatas iguais, uma presa no cabelo de Ivone e a outra tampando os olhos dele. Os tiros voltaram a cortar o ar, limpos, secos, um depois do outro, em sequência perfeita. A postura de Fabiano e a forma como ele segurava a arma pareciam saídas de um manual.
Ele disparou quinze vezes seguidas. Quinze tiros, quinze centros perfeitos. Cento e cinquenta pontos.
Ivone engoliu em seco. Faltavam cinco disparos. Pela precisão que ele vinha mostrando, a menos que Fabiano, por vontade própria, desistisse da disputa, ela simplesmente não tinha chance nenhuma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...