Atrás dela, o vento do mar batia a chuva contra o vidro da janela do banheiro. Parecia até que o vento entrava pelas frestas da esquadria, trazendo um frio fino que envolvia o corpo de Ivone. Os dedos com que ela segurava o puxador da gaveta pararam por um instante. Ela fechou a gaveta com uma expressão completamente neutra.
— Sra. Moraes, o jantar está servido.
A voz da empregada veio do lado de fora do quarto. Como o cômodo era grande, o chamado parecia vir de muito longe, arrancando Ivone à força dos próprios pensamentos.
Ivone voltou a si, saiu do banheiro e respondeu para a funcionária:
— Eu não estou com fome. E pode me chamar de Srta. Ivone, eu não sou a Sra. Moraes.
A empregada ficou surpresa por um segundo, mas se lembrou do aviso que Fabiano tinha dado antes: o que Ivone dissesse, eles deviam obedecer. Ela assentiu:
— Sim, Srta. Ivone.
Depois que a empregada saiu, Ivone se sentou no sofá preto perto da porta-janela, deixando a mão deslizar até a borda do apoio de braço.
De repente, o corpo dela ficou rígido. Ela encarou a própria mão, sem piscar.
A mente dela ainda estava uma bagunça, e ela só queria encontrar alguma coisa para se distrair, para aliviar um pouco a pressão. Por isso, ela tinha enfiado a mão no canto do braço do sofá. Mas por que exatamente ela tinha feito aquele gesto?
Para testar a própria suspeita, Ivone deixou os dedos seguirem adiante, escorregando pelo lado e tateando para baixo. Como ela já imaginava, ela acabou encontrando um bolso lateral e puxou de lá uma revista.
Quando Ivone viu a revista na própria mão, um brilho estranho passou pelo olhar de Ivone.
"Como isso é possível…" Ela pensou, assustada.
Será que era porque, no sofá da casa dela, no condomínio Diamante, também existia um bolso assim, na lateral do apoio de braço, para guardar revistas? Teria sido por isso que o corpo dela reagiu sozinho, repetindo um hábito antigo, enraizado na memória muscular?
Ivone deixou a revista de lado e ficou olhando a chuva engrossar do lado de fora. O incômodo dentro dela cresceu, e ela acabou se levantando e indo até a porta-janela.
…
Lá fora, a chuva caía pesada sobre a área externa da casa. Fabiano vinha na direção da mansão a passos largos, com a camisa rasgada pendurada na mão.
A água escorria pelos braços dele, cheios de músculos definidos. Ele levantou a outra mão para limpar o rosto molhado, e a cena o fez lembrar da época de treinamento.
Antes de completar dezoito anos, Fabiano já tinha concluído todas as disciplinas da faculdade. No ano que antecedeu o alistamento, ele praticamente só viveu para o preparo físico.
Ele lançou um olhar rápido para a empregada:
— Você já a chamou para jantar?
A funcionária respondeu:
— A Senhora… Srta. Ivone disse que não está com fome.
Srta. Ivone.
Os olhos sombrios de Fabiano se afundaram um pouco mais, mas ele não comentou nada. Ele olhou na direção da escada e subiu sem desviar.
Quando Fabiano entrou no quarto, Ivone estava reclinada de lado no sofá, folheando uma revista. A barra leve do vestido se espalhava ao redor dos tornozelos finos e claros dela, como se fosse uma íris desabrochando, deixando à mostra aqueles dois pés que sabiam muito bem como acertar um chute.
Fabiano arrancou a toalha que tinha absorvido a água do corpo, esfregou de qualquer jeito o rosto e o cabelo molhado e falou:
— Você não está com fome, então o que você quer comer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Finalizado como? Nenhuma história fechou: cofrinho nao fez a cirurgia, os pais da Ivone vivos, nao se chegou a essa parte...
ta ficando muito enrolada a historia...