A luz amarela e quente caía suavemente, delineando contornos difusos sobre eles, enquanto o ar era tomado por uma atmosfera capaz de acelerar qualquer batimento cardíaco.
Jessica respirou fundo, preparou-se mentalmente e então ergueu os braços, envolvendo o pescoço dele.
A ponta dos dedos tocou a pele quente da nuca dele, irradiando uma temperatura quase febril.
David percebeu o gesto dela, e um brilho sombrio passou por seus olhos.
Beijos ardentes começaram a descer pouco a pouco.
Jessica inclinou levemente a cabeça para trás, fechou os olhos, e seus cabelos, caindo desordenados sobre o travesseiro, compunham uma imagem de beleza sedutora e irresistível.
......
No entardecer de Costa Dourada, um carro de luxo preto aproximou-se devagar.
A porta se abriu e Dona Martins desceu do veículo. Vestia-se com elegância, exalando o aroma de um perfume francês caro, e as joias que usava reluziam friamente sob o sol poente. No entanto, por mais requintada que estivesse, não conseguia esconder o cansaço estampado no rosto.
Nas últimas semanas, ela havia emagrecido consideravelmente, os traços do rosto se tornaram mais marcados, e o olhar, antes afiado, agora trazia sinais de fadiga e desalento.
Ficara quase um mês na casa da família, esperando que Antônio Martins pedisse para reatar. Ironicamente, não foi Antônio quem apareceu, mas sim ela que flagrou o marido em um segundo encontro com Maria num restaurante.
Dona Martins ficou tão furiosa com a cena que acabou adoecendo seriamente.
Mal conseguira se levantar do leito, já arrastava o corpo enfraquecido rumo a Costa Dourada.
Ergueu a mão para dispensar os seguranças e empregados que a acompanhavam, avançando sozinha em direção à mansão.
Ao entrar em casa, deparou-se com quatro pequenas crianças brincando na sala de estar.
Seu olhar percorreu o ambiente, sem encontrar sinal de David e Jessica. Voltou-se, então, para um empregado que aguardava discretamente ao lado, e perguntou: "Ouvi dizer que David se mudou para Costa Dourada. Onde ele está?"
O empregado, ao ver Dona Martins, não conseguiu esconder o medo e respondeu, trêmulo: "Dona, o senhor e a senhora ainda não voltaram."
Dona Martins franziu a testa. Já estava quase anoitecendo e eles ainda não tinham voltado para casa?
Dona Martins olhou para aquelas quatro carinhas idênticas e, ao lembrar de tudo o que já havia passado, sentiu um aperto no peito.
Tentou dizer alguma coisa, mas de repente sentiu a garganta fechar, e na sequência, tudo escureceu diante dos olhos. Caiu desmaiada, com um baque surdo no chão.
As quatro crianças se assustaram.
Daniel arregalou os olhos, chocado: "O que aconteceu? Eu nem chamei o ganso ainda e ela já desmaiou de medo de mim?"
Tristan, o mais medroso, foi o primeiro a correr até ela, colocando a mãozinha diante do nariz da senhora e, depois de verificar, disse: "Ainda está respirando, não morreu."
Geraldo observou atentamente e reagiu rápido: "Tem algo errado. Melhor a gente ligar para alguém."
Julio, atrapalhado, já estava com o celular nas mãos, perguntando aflito: "Pra quem a gente liga?"
Geraldo pensou um pouco e respondeu: "Liga primeiro para o tio Orlando."
Afinal, tio Orlando era médico.

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